20 novembro 2013

Assento do meio

“Desculpa, Senhor. O senhor deve ter se confundido.”

Foi o que a funcionária me disse há uma hora.  Eu havia escolhido a poltrona da janela, tenho certeza. Confundido nada. Maldito sistema web e toda essa necessidade descontrolada dessas empresas para venderem bilhetes aéreos. Isso é que é confusão.

Agora, aqui estou. Fileira 07, poltrona B, espremido entre uma jovem de vinte e poucos e uma senhora.  Não estou espremido por elas serem gordas, pelo contrário. Este espaço que é realmente desumano.

Não fosse essa estranha claustrofobia, ainda tenho que ouvir as lamúrias da mulher mais velha. Faz uns quinze minutos que ela julgou-me seu amigo e desde então não parou de falar. Santo Deus! Ela estava na janela, e quem senta na janela não tem direito de reclamar sobre nada, essa é a lei da vida.

Começou reclamando sobre o ouvido. A cada dia, escutava pior. Não, não, os aparelhos não adiantavam, já tentara todos. E o trabalho, quanta gente mesquinha, invejosa e falastrona! “Ora, que coincidência!”, pensei. Mas era sobre o filho que ela mais estava falava agora.

Átila é engenheiro elétrico e, pelo que entendi, aos vinte e oito anos nunca tinha namorado sério. Ela, como mãe, ficava preocupada, claro. Afinal, queria que algum dia, ainda viva, fosse avó. Diana, sua filha, ainda era muito nova para lhe dar netos e, além do mais, ainda não se formara. “Filho, só depois do diploma”, frisou.

Queria tanto que o filho abandonasse a vida de festas e arrumasse logo um casamento, que até passou a ser religiosa. Mas, ah... Se ela soubesse. “Se eu soubesse que seria assim, apagava todas as velas que acendi!”

O caso foi que Átila se apaixonou em pleno carnaval por uma loira recém-chegada na cidade. “Era até simpática no começo, sabe? Quando eu ainda não sabia de tudo.”

Não precisei perguntar ou emitir qualquer som ou sinal de curiosidade para que ela continuasse. Ela falava ininterruptamente.

O único porém da moça, segundo ela, era ter uma filha! Uma menina, de três anos. “Aquele panaca tinha que se apaixonar logo por uma mãe solteira, meu Deus?”

A essa altura, a jovem ao meu lado começou a prestar atenção na conversa, e emitiu um claro e sono sinal de desaprovação sobre aquele monólogo.

Além da filha, descobri que a moça também tinha trancado a faculdade de Pedagogia e estava desempregada. “Era muita falta de sorte concentrada em uma só pessoa”, concluiu.

Eu, calado estava, mudo continuei. Para não ser julgado grosso nem nada, lançava às vezes alguns olhares de compreensão. Comecei a folhear a revista da companhia aérea, torcendo para que a senhora compreendesse que queria alguns momentos só pra mim no voo. Em vão.  Por fim, larguei a revista e tentei desconectar de tudo aquilo que estava ouvindo, só reparando em algumas palavras soltas.

“Ai, meu pobre Átila, rezei tanto para que ele encontrasse coisa melhor”. Foi a última coisa que me lembro de ouvi-la dizendo, quando a moça ao meu lado disse, com um tom frio.

“E agora é esta mesma mãe solteira, desempregada e sem graduação, que acompanha a senhora na viagem da sua cirurgia”.

Ainda bem que eu não emiti, em momento algum, nenhum juízo.
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Esconderijos

Carolina, com o seu jeito espevitado de ser, mais parecia um rapaz. Escalava as árvores do sítio, corria atrás dos porcos rosados, gargalhava rolando pela grama e usava as mãos como talheres, tal como aprendera com Sinhá Paula. Dona Ana, sua avó, tentara de todo jeito fazer com que a neta se comportasse como uma dama, mas aquela tarefa estava custando muita paciência e era de pouco retorno.
Em meados de setembro daquele ano, aqueles cabelos negros e olhos travessos surpreenderam a todos na casa, sobretudo à Dona Ana. Carolina estava mais retraída e comedida, coisa que nunca fora. Passava a maior tempo do dia no quarto, deitada na cama, encarando o teto em um espécie de sonho acordado. Ninguém entendia tão repentino comportamento, pois a menina recusava falar. Construíra uma barreira de isolamento em volta de si. E se identificara de tal forma com ela que era como ela fizesse parte do seu próprio esqueleto, sua própria concha.
Escondeu-se. Porque tinha que se apaixonar? Não já estava ela, desde os oito anos de idade, prometida à outra pessoa?
Por mais que lhe perguntassem, não podia contar aquilo a ninguém. Não entenderiam que, quando era apenas uma criança, um velho moribundo profetizou seu casamento com um menino que acabara de conhecer. Não entenderiam os breves, o camafeu e nem as juras caladas.
Decidiu que ia ficar ali, camuflada, o resto daquele fim de semana. Domingos eram dias sempre calmos, sobretudo em Paquetá, e decidiu que não daria chances ao acaso de estragar aquela paz.
Adormeceu.

O Sol já tinha se posto há muito quando Augusto decidiu ir embora. Esperou cicno horas além do combinado, com a tola esperança de que ela aparecesse. Caminhava com um andar triste, quase desacreditado, daqueles que só quem já esperou em vão entende. Pressionou com força o velho botão de esmeralda. Pela primeira vez, tivera a impressão de ter achado o seu camafeu.
          A balsa atracou rapidamente, tal como as oportunidades foram perdidas. No curto trajeto de Paquetá até o Rio de Janeiro, Augusto adormeceu e sonhou com o velho moribundo, a garota de oito anos e a profecia que buscava.

*conto livremente baseado no livro "A Moreninha".
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13 novembro 2013

Vamos marcar


Era isso que ela sempre repetia em nossos encontros. Não importava se estávamos nos vendo naquele momento, acompanhadas por uma xícara de chocolate ou por uma boa taça de vinho, sempre havia a exagerada preocupação com os próximos que viriam. “Vamos, claro.” Respondia, como um mantra. “Mas é sério, viu?!”. Sério, sempre era sério. “Com certeza, temos que nos ver mais vezes!” Uma das minhas táticas mais antigas consistia no ato de concordar, que descobri por vezes evitar maiores delongas. “Você promete? Promete?!” Não importava quantas vezes eu assentisse, essa pergunta sempre reaparecia ao longo da tarde. Quem a assistia pela primeira naquele momento, julgava-a uma pessoa de fácil convivência, quem sabe até carente, mas isso somente por excesso de doçura. Doce. Mal sabiam que aquela pergunta nos acompanhava em todos os encontros.

Para alguns, comentar sobre a vida pessoal, trabalho e atualidades com os amigos poderia ser uma tortura. Mas, para mim, era ouvir aquela frase. Gostava de viver momentos, e ela parecia contente somente com a possibilidade de tê-los. “Vamos marcar.” Ela disse, mais uma vez, no final da carona. Enchi a boca de ar e impedi que certas palavras destrutivas abandonassem minha mente. “O que foi?” Nada. Resolvi que uma boca vazia combinava com aquela relação murcha. E o quão insano era continuar regando-a. Sabia que ela estava esperando a minha ligação – tal como sempre - , e eu, eu sabia que ela nuca ligaria. Desmarcamos.

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11 novembro 2013

Uma maçã e inúmeros copos de água


Penso que quero ser como X. Acredito que o conheço bem para ousar ter tal pensamento, embora tenha plena certeza de que ainda existem nele verdades e hábitos desconhecidos por mim.
X não faz parte de nenhuma família real, embora o nome pomposo induza a tal pensamento.  Na verdade, ele quase que não possui nenhuma família de sangue muito próxima, já que seus pais se separaram quando ele era apenas um menino, e a maioria de seus parentes se manteve distante quando ele e suas irmãs mais necessitavam de amparo.
X C. A. tem em torno de 30 anos, nem tão velho e nem tão novo assim. Sua mãe, que tinha fixação por nomes estrangeiros compostos, teve mais três filhas além dele: S. D., G. I. e S. G., nessa ordem. De origem mineira, a família morou por muito tempo no interior do Rio de Janeiro, antes de se desfazer.
Quando menino, na escola, nunca foi o primeiro da turma. Tampouco fez aulas particulares de inglês – essa e outras regalias eram restritas às meninas da casa. Raramente chegava ao pódio nas competições da natação e karatê.  Com as garotas, era uma tragédia: magro e ossudo, não chamava a atenção de nenhuma delas – e mesmo que algum milagre acontecesse, não tinha dinheiro nem para pagar uma bala na cantina do colégio, muito menos para as entradas do cinema.
Eu sei, é complicado entender porque então essa estranha vontade de ser como ele.
O vi pela primeira vez há uns quatro anos, quando fomos apresentados por amigos em comum em uma das minhas andanças por terras cariocas. Corria então o ano de 2009. Em 2010, nos tornamos mais próximos. E mesmo nos falando com frequência, seja por internet ou por esporádicos encontros, ainda não consegui decifrar quem de fato é X, nem a verdadeira bagagem que ele carrega consigo.
Sei o que ele faz da vida: é estudante profissional. De tão profissional, já está finalizando o seu doutorado em Engenharia de Transportes. Trinta e poucos e doutor, imagina?! Ele também corre. Diariamente, às seis da manhã, você pode encontrá-lo na orla de Copacabana, sempre com o mesmo conjunto preto. Após essa atividade, ele realiza seu habitual café-da-manhã, composto apenas por uma maçã e inúmeros copos de água.
Uma coisa é simples dizer sobre ele: é disciplinado. Sabe que a disciplina é uma virtude fácil de ser quebrada, e por não gostar de quebrar acordos ou votos, preza por ela. De tão disciplinado que fora toda vida, entrou na faculdade, mesmo com tantos problemas em sua família. Não era do seu feitio desperdiçar oportunidades: mudou-se de casa, de cidade, de conceitos. Estudava em pé, frequentava lan houses, alugava livros, e finalmente graduou-se.
Quando você tiver a oportunidade de encontrar com ele, saberá exatamente a sensação que sentia no início de nossas conversas. Primeiro, uma manifestação banal de admiração. Posteriormente, uma ligeira inveja daquele modo simples e determinado de ser. Não se sinta intimidado se achar que ele é melhor do que você, porque ele provavelmente é, e isso não é necessariamente ruim. Ele é claramente superior a pelo menos 80% dos seres humanos que habitam este planeta, ele é claramente de uma forma que eu também queria ser.
Primeiro, ele está sempre disponível. Pode parecer coisa pouca, mas são raras as pessoas que hoje em dia possuem tempo para isso. Ajuda um grupo com muitas velhinhas em tarefas heroicas como comprar passagens aéreas por internet. Lidera serviços recusados por outros. Faz longas viagens só para que o motorista, algum amigo ou conhecido, tenha com quem conversar e revezar o volante. 
Depois, ele nunca está de mau humor. Mesmo dividindo apartamento com estranhos desde que passou a morar no Rio, mesmo vivendo apenas com a curta bolsa do doutorado, ele sempre tem um sorriso para oferecer. 
Há diversas outras coisas que eu poderia contar aqui para reforçar a personalidade única de X. Ele quase não fala, a não ser quando já possui devida intimidade com a pessoa. Mas é um poço de educação. Não dança, a não ser que seja valsa. Não canta, a não ser que seja para a mulher que ama.
Tenho muito mais que aprender sobre X, mas o pouco que descobri através da minha característica petulância me faz querer descobri-lo mais a cada dia, absorver, como que por osmose, um pouco da sua constância, disciplina, silêncio e resignação. X sabe aceitar o que o destino lhe reserva, mesmo não despejando toda a sua confiança no acaso. Apesar de ter infinitas possibilidades à sua frente, caminha sem afobação, observando a paisagem e sentindo o vento cortar-lhe à face.
Ao vê-lo caminhando de tal forma, sinto-me impelida a acompanhar seus passos. 

* Escrito no dia 20 de outubro, na oficina de escrita criativa: contos, ministrada por Katherine Funke.
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O roubo

             Lili Moreira Sá tinha onze anos e como a maioria das crianças, brincava de ter preferências: amigos, cores, objetos, lugares. Falando neste último, o lugar favorito dela ficava no final da rua das Pitangas, na pequena cidade de Poty, dois quarteirões após a casa de sua avó Ana.
                Ela gostava de ir naquele local especialmente no final do dia, quando Sol coloria o céu antes azul anil com tons quentes.
                No meio de tantas pessoas perambulando pelos vazios de verdes, ela gastava seu tempo com um tipo em especial: com aquelas que estavam acompanhadas por um livro. Velho, novo, bíblia ou auto-ajuda, para ela essas descrições não importavam. Costumava passar minutos, ou até mesmo horas estudando aquelas pessoas.
                Até que o Sol, que antes lhe queimava a pele, começava a esfriar. Sabia, então, que era chegada a hora de agir. E, sobretudo, que o tempo era curto.
                Posicionava-se estrategicamente, provocava propositalmente um ruído distante ou qualquer outra distração e ZAZ, roubava o livro. Saia sorrateiramente, tal como uma profissional.
             Lili fingia-se acreditar que tinha com essas pessoas um acordo velado: se as pessoas podiam usufruir sem a sua permissão do seu lugarfavoritonomundotodo, a ela era permitido, em consequência, levar as palavras delas.
                Enquanto os leitores levavam consigo, inconscientemente, uma parte de Lili e do seu lar, a garota ficava também com uma parte delas.


* Escrito no dia 26 de outubro, na oficina de escrita criativa: contos, ministrada por Katherine Funke.
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29 outubro 2013

Metamoforse

Maria costumava dizer que um dia iria mudar de vida, tudo iria ser diferente. Como nada de novo lhe acontecia, acreditava que aquela mesmice era o fardo de um nome tão ordinário. Decidiu, então, transformar-se em novas mulheres: acordava Tereza, almoçava Cecília, tomava chá Beatriz e dormia Jordana. Apesar dos novos nomes, apercebeu-se sempre a mesma, sem graça e sozinha. Por fim, cansou-se de tudo isso e decidiu ser apenas Maria.
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23 outubro 2013

Coisas duráveis




                Volta e meia escuto minhas tias mais velhas reclamarem que as coisas hoje em dia são totalmente desprovidas de qualidade.  As panelas de antigamente. Ai, como o cobre durava! As peças de roupas, todas costuradas pela vizinha, eram usadas por todos os irmãos - e olhe que meus avós tiveram 16 filhos. Os utensílios domésticos, que eram passados de pai para filhos como herança. É, ainda temos alguns aqui, assim como toalhas e lençóis incrivelmente bordados à mão.

Porém, nenhuma das minhas velhas tias jamais observou - ao menos perto de mim - o que mais caiu de qualidade nessa terra de loucos: as relações humanas.  Casamentos que outrora duravam quarenta ou cinquenta anos foram substituídos por relações frágeis como um nó dado por uma criança. Hoje parece que qualquer coisa pode ser substituída facilmente através de uma simples ida ao shopping, inclusive pessoas. Ao sinal de qualquer desentendimento, as pessoas preferem se afastar e levarem suas fingidas vidas.

Ainda não conheci ato tão bonito quanto o de se desculpar. De correr atrás. De mostrar que se preocupa. De que aquela pessoa, seja sua mãe, amiga, namorado, ou até mesmo um vizinho, é importante pra você, que você se interessa pelo modo que ela sente e enxerga cada acontecimento. Reconhecer o erro, mesmo que esteja certo. Eu muitas vezes já dei minha cara à tapa nesse sentido, tola romântica que sou. E quão não foi a surpresa ao observar que, muitas vezes, aquela pessoa que eu tive o cuidado de dizer me perdoa pisou também na bola comigo e simplesmente ignorou o fato?

Sou boba, eu sei, já me convencieram disso. Por acreditar que as pessoas deveriam perceber que não somos de plástico, substituíveis e sem emoções, como os produtos que lotam prateleiras por aí... Somos, em verdade, como o papel. Uma vez usados, temos em nós marcas que nos seguirão por toda a vida, positivas ou negativas. Porém, mesmo as que forem negativas podem ser alteradas, seja com um corretivo, com um borrão malfeito de grafite (“ah, vamos deixar isso pra lá!”) ou, em casos mais complicados, em processos de reciclagens.


O fato é que somos humanos. Estamos em constante processo de mudanças, evolução. Sabemos ferir, mas também podemos aprender a pedir perdão e a desculpar os outros. E por desculpar não quero dizer esquecer, apenas seguir em frente sem mágoas. Talvez é esta coragem que falte aos transeuntes mais novatos neste planeta, coragem que talvez as minhas tias poderiam ensinar, mas até elas mesmas se esqueceram de como até mesmo as relações humanas eram, antigamente, eram mais duráveis. 
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22 outubro 2013

"Sdds"



Na era da tecnologia, da informação e das redes sociais, somos cada vez mais estimulados a correr contra o tempo, a responder e-mails e mensagens no impulso, compendiar encontros. No vício, diversas palavras da língua portuguesa já foram abreviadas e suas siglas são de conhecimento comum: vc, td, mt, qr, etc. Você poderia me perguntar se eu gosto dessa tendência. Defensora da boa escrita e dessa língua ímpar, afirmo sem hesitar que não. Acredito que tudo é mais bonito quando completo, até mesmo as palavras.

Mas isso não quer dizer que eu não me utilize desses recursos. Como usuária assídua da internet, sou vítima sem perdão desses e de outros vícios que não devem ser mencionados. Escrevo como uma desvairada, que mistura palavras longas e formosas, para que estas não fiquem empoeiradas nas gavetas de minhas memórias, com palavras curtas e sintetizadas, na esperança de que aqueles cinco minutos sejam suficientes para responder as novas 137 mensagens no whatsapp.

          
Foi através desse aplicativo que observei o uso constante de uma nova abreviação: “sdds”. Ai, gente. Tá aí. Se tem uma palavra que eu não consigo abreviar é “saudade”. Já tentei, já até digitei, mas sempre corrijo antes de enviar, e acabo perdendo mais tempo do que se tivesse digitado correto desde o início.

Saudade é uma coisa tão brasileira, tão calorosa, tão única e imensurável, que é impossível resumir em quatro letras ou em duas consoantes. Será que ali vai caber tudo que aquele verbete almeja sintetizar? Se é pra sentir uma saudade simplificada, melhor sentir “falta”. Saudade é  m a i o r. É como a “paciência”, do Lenine.


O cotidiano já nos obriga a apressar tanta coisa, a ser mais razão e menos emoção em tantas situações, mais práticos... Sufocamos e calamos tanta coisa dentro de nós. Será que nem permissão temo para escrever saudade, como todas as suas letras, sons e significados?

Saudade é palavra latina, intraduzível, inexplicável. É vocábulo que nos abraça, pra ser sentido  por completo. E EU ME RECUSO a simplificá-la. Recuso-me a senti-la pela metade, ligeiramente, sem alma. Vai saber se teremos tempo para dizê-la ou senti-la mais uma vez... vai saber.



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Começando... um conto.

                Hey, gente! Quanto tempo, hein?! Vão perdoando o sumiço... Mas nos últimos meses minha vida passou por momentos insanos, que envolveram:  1. TFG de arquitetura; 2. TFG; 3. TFG; (...) 54. Colação de grau; 55. Solenidade; 56. Comemorações; 57. Ainda não caiu a ficha.
                Após onze semestres de faculdade, muitas noites em claro, seis meses na Espanha, pensamentos que oscilavam entre amor e ódio, finalmente o ciclo se fechou. Agora sou Arquiteta e Urbanista diplomada com láurea (UHUL!) pela UFBa. AMÉM!
                Não vim aqui para falar de como foi gratificante concluir este curso, nem para falar dos meus projetos futuros dentro da minha graduação. Quero somente comunicar que agora que as coisas parecem estar voltando novamente aos eixos, vou apertar o play em algumas coisas que ficaram em stand by na minha vida – acredite, foram muitas.
                Uma delas foi a escrita. Empolgada agora com essa onda de depressão pós-formatura + tempo livre, me inscrevi em uma oficina de contos para ver se me empenho mais nesta arte e se aprendo um pouco sobre os mesmos e suas facetas.
                Vou compartilhar abaixo com vocês o conto que escrevi hoje rapidamente na aula, na minha dinâmica de apresentação. Na verdade, como comentado na aula, não foi bem um conto, pois: 1. não tenho experiência com os mesmos; 2. ficou parecendo mais a introdução de um romance. Culpa desse gênero que não me larga.
                Na aula, tivemos que escolher uma palavra e iniciar uma história. A minha palavra foi: dedicação. Esta foi apenas a minha primeira tentativa, escrita em 10min. Ao longo das semanas vocês poderão acompanhar, aqui no blog, a minha evolução.
                Enfim, sem mais delongas, eis aqui o bendito:



DEDICAÇÃO

   Os dedos frágeis de Ana percorriam com nostalgia os embolorados porta-retratos da cristaleira de Aurora. Na primeira imagem, ainda colorida apenas por tons em escala de cinza, lá estava ela aos onze meses, ensaiando seus primeiros passos.
   O olhar, curioso como o de um felino, já marcava a sua personalidade, e denotava a recusa em caminhar segurando a mão da mãe.
   A segunda fotografia trazia a menina aos seis anos, em uma daquelas antigas e típicas fotos escolares. O mesmo olhar, a mesma sede. Você aprendia tudo num pulo, observou Aurora.
   Em seguida, aos onze, como vencedora de um projeto para a feira de ciências. O que a fotografia não revelava a quantidade de tardes que ela se empenhou naquele trabalho.
   Passado os anos, Ana cresceu. A sede por coisas novas também. Tinha aprendido que melhor do que questionar, era procurar novas perguntas sem respostas.
   Ana, a neta dedicada de Aurora. Ana, a aluna laureada do curso de Química. Ana, que mesmo em tempos Porém, esta mesma Ana, que tem resposta para tudo o que lhe perguntam, ainda tem perguntas que ninguém buscou responder. É, Ana. A vida tem dessas coisas. 

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28 setembro 2013

Cidades de Papel

                Todos nós tivemos amigos de infância, reais ou imaginários, certo? E anos depois, mesmo quando aquela pessoa está longe ou com novos amigos, costumamos ainda nutrir um carinho especial por ela – porque a gente ainda acredita que mesmo longe, existe um pedaço daquela pessoa que só a gente conhece. Pelo menos comigo é assim. E com o Quentin também.
                Quentin Jacobsen acreditava que todo mundo tem seu milagre, e que o maior milagre da vida dele era ser vizinho da Margo Roth Spiegelman. Mesmo que agora eles fossem meros conhecidos na escola - correção: agora Margo era uma popular -, houve um intervalo de tempo na infância deles em que eles compartilharam momentos só deles.
                Quando Margo invade a vida de Q novamente, através da janela de seu quarto em uma noite de maio, com a cara pintada e vestida como uma ninja e convocando-o para participar de um engenhoso plano de vingança, ele não sabia que sua pacata vida iria mudar radicalmente. Após uma madrugada de aventuras (que incluem invadir ou arrombar curiosos lugares), Q descobre que a enigmática Margo fugiu da cidade mais uma vez.
                Curioso com o padeiro da garota e enciumado por ela não o ter incluído nem avisado desta vez, Q resolve descobrir o misterioso paradeiro de Margo, baseando-se em algumas pistas. Porém, quanto mais ele estuda o caso, mas ele se distancia da imagem da garota que achava conhecer e aprende mais sobre si mesmo.
                Cidades de papel é um livro que trata sobre aparências, sobre as coisas que realmente importam e sobre os fios que nos conectam. John Green, através da sua já admirada narrativa, nos apresenta personagens sólidos e totalmente críveis, perfeitamente cabíveis na sociedade em que vivemos.  
Através de sacadas interessantes e de muita poesia, percebemos o quanto podemos nos enganar com nós mesmos, como podemos idealizar os outros e como fatos do passado podem refletir e moldar uma vida inteira, deixando sequelas positivas ou negativas. E mesmo que algumas coisas sejam mais bonitas de longe, bom mesmo é ver de perto e fazer parte.
Um recado final pro Jonh Green: John, manda pra cá a sua lista de compras, porque até ela deve ser interessante.





" Eis o que não é bonito em tudo isso: daqui não se vê a poeira ou a tinta rachando ou sei lá o quê, mas dá para ver o que este lugar é de verdade. Dá para ver o quanto é falso. Não é nem consistente o suficiente para ser feito de plástico. 
É uma cidade de papel. Que dizer, olhe para ela, Q: Olhe para todas aquelas ruas sem saídas, aquelas ruas que dão a volta em si mesmas, todas aquelas casas construídas para virem a baixo. Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas. (…) 
Todos idiotizados com a obsessão por possuir coisas. Todas as coisas finas e frágeis feito papel. E todas as pessoas também. Vivi aqui durante dezoito anos e nunca encontrei ninguém que se importasse com qualquer coisa."

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24 setembro 2013

Olho por olho






Certos episódios da vida repetem-se na história de muitas pessoas. Bullying, por exemplo. Todos somos passíveis de julgamento externos e sensíveis aos mesmos, mesmo que disfarcemos. Dói. Pensamos, então, em como pode mostrar que somos melhores. Planejamos. Às vezes a vida responde pela gente. Ou podemos simplesmente esquecer. Mas essa palavra não existe no vocabulário de Kat, Lillia ou Mary. Esquecer... impossível. Elas querem apenas uma coisa: vingança. Afinal, garotas crescidas não choram... elas acertam contas. E, uma coisa que começou como uma simples brincadeira entre três quase-desconhecidas, toma forma e atingindo rumos inesperados.
                Em OpO, o leitor é convidado a descobrir que não existe certo e errado, e que um mesmo acontecimento sob diferentes pontos de vistas podem resultar em distantes realidades. Para as garotas, estava valendo a lei do “olho por olho, dente por dente”. O carma já não era mais suficiente, e elas decidiram que era hora de algumas contas serem acertadas. Pode ter sido o ímpeto do momento ou o sufoco de anos, o fato é que algo quebrou e nenhuma das três soube consertar sozinha.
Como é lugar comum em livros desse tipo, os dramas da adolescência marcam presença. Não só eles, como também aquela velha receita norte-americana: líderes de torcida sem graça, capitão de time de futebol que se acha, garotas revoltadas donas da razão, nerds que escrevem poemas, festa de formatura, etc. Essa é a parte chata do livro. Pense naquele cliché dos filmes. Vai estar lá, igualzinho, sem nenhuma crítica ou distorção. Começo a pensar que o problema mesmo estão nas escolas de lá e nos seus armários perfeitos.
                Escrito em conjunto por duas escritoras promissoras da academia literária norte-americanas, não posso negar que o livro possui uma narrativa - do tipo que eu peguei ontem à noite e terminei ontem à noite. 300 páginas, sério mesmo. As tramas, grande parte ambientadas no interior de um colégio nos EUA, são narradas pelas três garotas, que se revezam contando as histórias (e suas histórias) de acordo com seus pontos de vista ao decorrer dos capítulos.

                Mesmo com um final super sem graça (porqueeunãosabiaqueeraumatrilogia), é uma leitura interessante se você tentar ler enxergando os diversos tipos de visões e as coisas que nossas mentes podem criar. Certa vez li uma reportagem que dizia “o inferno somos nós”. E é verdade. Só que algumas pessoas às vezes resolvem habitar no inferno das outras.

FICHA
Autores: JENNY HAN | SIOBHAN VIVIAN
  • Título: Olho por Olho
  • Selo: NOVO CONCEITO
  • Ano: 2013
  • Número de páginas: 320
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27 julho 2013

Fiquei com seu número



                Sabe aquela velha amiga sua do tempo do jardim de infância que você raramente vê, mas que quando encontra o sentimento é o mesmo? É assim que a Sophie Kinsella funciona pra mim. Por mais tempo que eu fique sem ler um livro dela, quando tenho um em mãos o sentimento nunca muda. Por vezes até esqueço do quanto gosto dela, comparando-a a outras escritoras do universo chick-lit, mas então me vejo lendo algo dela e pensando no quão única essa inglesa é.
                Afinal, não é qualquer uma que consegue pegar uma história banal do dia-a-dia, em que uma garota encontra um celular no lixo e fica com ele e panz, em um livro que 99% das pessoas que leram não conseguem largar. Essa garota é a Poppy Wyatt (Você não achou esse nome engraçado?! Porque eu achei!), uma carismática e bondosa fisioterapeuta que está noiva de um figurão sexy e inteligente, o Magnus Tavish.
Poppy é tão boa e preocupada em atender as pessoas à sua volta que, em um chá com as amigas, permite que todas elas experimentem seu anel de noivado que pertenceu à avó de Magnus. Afinal, ele é todo antigo e com esmeraldas perfeitas, e nenhuma delas ainda tinha visto um daqueles. Entretanto, nunca podemos esquecer de Murphy e de sua lei que faz com que coisas que pareciam certas desandem. Justo no momento que as meninas experimentam a jóia, o alarme de incêndio do local dispara. Correria. Desatenção. E um anel perdido na confusão.
Justo no dia em que os pais dele, os altamente cultos e arrogantes Wanda e Antony regressam de viagem. Como ela vai contar que perdeu o antigo anel de miliooones de dinheiros da família, GOD?! Como?! Não, ela não vai contar. Os funcionários do local irão achar o bendito e ligarão em pouco tempo para o celular dela avisando, sim?! Poderia até ser que sim, se o celular dela não tivesse sido roubado também na confusão. Como ela poderia ficar sem as duas coisas mais importantes de sua vida?
Então, como em uma recompensa do destino, a impulsiva Poppy encontra um celular jogado no lixo. Não é a melhor das situações, mas pelo menos pegando-o ela teria um número. E o que está no lixo não é de ninguém, é utilidade pública, e esse é um de seus lemos. O que Poppy não sabia é aquele celular pertence à uma empresa. Mais precisamente, a uma ex-assistente de um figurão do mundo corporativo, Sam Roxton.
É depois dessa confusão que o livro começa de fato. Ilustrando relações modernas, Kinsella nos presenteia com personagens extremamente cômicos e humanos, pessoas como nós que tem medo, inveja, e que, acima de tudo, buscam serem felizes. E as situações narradas são as mais hilárias possíveis.  
É interessante acompanhar o amadurecimento de Poppy, sobretudo através das confusões que ela se mete pelo celular de Sam. O fato é que ela pensa que o está ajudando ao se comprometer a reencaminhar todas as mensagens do aparelho para ele, mas mal sabe que na verdade é Sam quem mais a ajuda a se libertar de algumas amarras invisíveis.
                FCSN é um livro tão delícia de ler que nem a edição em páginas brancas te cansa e nem a capa infantil te desestimula. Pode acreditar. E as mais de 400 páginas não parecem, ao final, nem 200, se você é como eu que fica rezando pro livro não acabar. Porque este acabou rápido demais e eu já estou morrendo de saudades da Poppy, do Sam e do celular deles. 

Foto: Melina Souza
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17 maio 2013

Expectativas


Ela detestava acordar ao som do despertador do celular, mas o que poderia fazer? Despertadores de verdade, daqueles que são reloginhos redondos ou quadrados eletrônicos, eram considerados quase que itens vintages da decoração de uma casa. Pensou em deixar o “soneca” tocar mais uma vez, mas desistiu.

Então, levantou num impulso. Como se tivesse sido tocada por uma descarga elétrica. É que finalmente recordou-se da importância daquele dia 17.

O dia amanheceu como outro qualquer do outono na cidade: cinza, abafado e com nuvens escuras que sinalizavam posteriores pancadas de chuvas. Ou que simplesmente elas sairiam e o sol abrira de vez. Ela, otimista como sempre, olhou pela janela e ouviu alguns passarinhos cantarem no seu jardim. Ficou com a segunda opção e calçou suas sapatilhas douradas novas no lugar da velha bota gasta pela chuva. Prendeu o cabelo em uma espécie de coque e jogou um blush na cara, na expectativa de que aquele pó trouxesse um pouco de brilho ao seu semblante. Afinal, aquele era o dia. Seria tudo perfeito!

Ela ainda não havia aprendido que a expectativa é um dos maiores inimigos da humanidade.  Que toda vez que esperamos algo com muito afinco, não importa o quão bobo esse algo seja, fantasiamos sobre infinitas possibilidades que poderiam acontecer. E de repente, BUM. Acontece o que você estava prevendo. Da maneira certinha. Sim, se você é uma personagem de conto-de-fadas, sim. Ela achava-se personagem. Achava-se abençoada. Achava-se entendida e realista. Mas a vida não concordava. Quem ela era para se achar tão especial?! Ela era uma garota comum, como eu ou você, oras.

Minha querida menina, caso ninguém tenha lhe dito ainda, sempre tem o dia em que a carta não chega. Ou que o plano te ferra. Sempre chega o dia em que você esperará em vão por algo que não se concretizará ou alguém que não virá. O vôo atrasará. A sessão lotará na sua vez. Você chegará atrasada naquela reunião que você iria apresentar seu negócio. E que seu nome não estará naquela temida lista. Mas, e agora?


Ela chegou em casa com as sapatilhas enlameadas, coração queixoso e rosto borrado. O coque pendia para o lado, inconstante. Sentou-se no parapeito da janela, desacreditada, e pôs-se a observar o céu. Perdeu-se, então, no barulho do choro de ambos. Não sabia se quem mais chorara naquele período: se fora ela ou ele. Porém, não sabia também o momento exato em que resolvera levantar impetuosamente, tal como de manhã.

Foi como se uma fada tivesse soprado no seu ouvido: “O importante, garota, não é como aquela adversidade conseguiu te atingir. O que passou, não importa. O que passou não tem nada novo a te dizer. O importante é como você reagirá a tudo isso, menina. Portanto, enxugue as lágrimas. Agradeça o mínimo de bom que tenha lhe acontecido. E o de ruim também, afinal tudo nesta vida é experiência.”


Então, ela enxugou o rosto molhado com a palma da mão. Prendeu o soluço. Desatou o coque. Tomou um banho, expulsou aquelas energias, e decidiu dormir, para que tudo de ruim que lhe tinha acontecido ficasse nesse dia 17 e não tivesse mais nada para dizer a ela do dia 18 em diante. Do que tinha acontecido nesse dia, ela não contaria a ninguém.

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10 maio 2013

O livro do amanhã

                Como seria se soubéssemos o que o amanhã nos reserva? Nós o consertaríamos?! Será que conseguiríamos?
                Um livro com frases de efeito como essas na chamada, mais o mega-plus de ter sido escrito pela Cecelia Ahern (Ps. Eu te amo), temo como não surgir aquela vontade de ler?! Ainda não? Então deixa eu deixar mais interessante: tudo se passa na Irlanda. Irlanda. Bom, se até agora eu não te disse nada de convincente, melhor você parar de ler por aqui.
                Porém, se você se deixou levar por pelo menos um dos itens acima, vem comigo nessa aventura que eu vou te apresentar a Tamara. Na verdade, não sei bem se você vai gostar de conhece-la, pois Tamara é mais uma garota bem-nascida mimada e arrogante. Daquelas que nunca precisou se preocupar com o dia de amanhã, pois papai rico e mamãe perfeita não lhe ensinaram que a vida é, na verdade, uma bela de uma caixinha de surpresas.
                Pois bem. Quando repentinamente este papai rico se suicida, e a mamãe perfeita enlouquece ao descobrir-se inundada de dívidas, o que acontece?!
                Tamara e sua mãe são obrigadas a sair da mansão em que moravam em Dublin e a se mudarem para a casa dos tios de Tamara, em um vilarejo do interior irlandês. A única diversão de Tamara no interior se torna, então, as ruínas de um antigo castelo próximo ao local aonde moram seus esquisitos tios, uma biblioteca itinerante e a amizade inesperada com uma freira.
                Em uma das visitas da biblioteca – e do seu lindo motorista – à cidade, Tamara encontra um livro muito misterioso, com textos escritos com sua caligrafia torta e datados sempre para o dia seguinte. Quando as coisas em sua vida começam a acontecer exatamente como o livro (ou diário?!) previa, Tamara percebe que pode ter encontrado um atalho para solucionar seus muitos problemas. Ou não.
                Impossível não se identificar com a petulância da garota, que sempre tem resposta para tudo, mas que no fundo só quer o bem da mãe depressiva e entender melhor sobre a sua própria história de vida.
                Quem nunca sonhou em poder prever o futuro? Mas, ao mesmo tempo, quantas vezes já imaginamos consequências estrondosas?! Saber das coisas tem o seu preço. E Tamara descobre bem isso no decorrer do livro. O que era pra ser um livro comum sobre uma adolescente de caráter duvidoso torna-se uma história bastante misteriosa, recheada de bons diálogos, risadas e lições.
                Só não esqueça esta lição da Tamara: você pode direcionar o seu futuro, só não pode fugir dele! 

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24 abril 2013

Esperando por você

* Super-resenha elaborada pela moderadora Karla Corrêa (:


Um dos livros com uma história adolescente que mais me prendeu a atenção ultimamente. Um clichê tão gostoso daqueles que você continua lendo querendo saber qual será o desfecho da história amorosa e de tudo que cerca Marisa – a protagonista.
Esta bela obra fala de Marisa, uma adolescente de 15 anos que no ano anterior fez terapia devido ao seu distúrbio de ansiedade que gerou uma depressão nela. Todos na escola onde a mesma estudava achavam Marisa estranha pelo fato de ter todos esses problemas psicológicos. Mas esse ano, marcado por sua entrada no Ensino Médio, ela e sua melhor amiga Sterling prometem que tudo dará certo esse ano e que as duas irão começar a namorar seus caras do sonho.
O candidato que Marisa acha perfeito se chama Derek, um menino lindo, surfista, simpático, popular e que... já tem uma namorada. Mas isso nunca a impediu que sonhasse com o rapaz.
Marisa também tem seu amigo Nash da qual ela ficou afastada durante muito tempo, mas os dois faziam trabalhos da escola na casa de Nash. Agora, no Ensino Médio, na mesma sala eles se reaproximam para fazer trabalhos juntos. Nash é um menino muito inteligente, porém confessa gostar da Marisa. Ela não mantem o mesmo sentimento por ele, logo se afasta outra vez.
Já na escola o assunto do momento é uma Webcast onde há um cara que consegue dar conselhos para os outros adolescentes, colocar música boa e sabe TUDO que ocorre na escola, até mesmo os problemas da direção.
No lar de Marisa, a situação está complicada: seus pais estão se separando devido a traição de uma das partes e ela não se dá muito bem com sua irmã que tem ideias muito avançadas para uma menina de 12 anos.
Toda história bem adolescente e a questão de sempre: deixar se levar pela aparência de Derek mesmo ele não sendo o namorado perfeito e companheiro, que está sempre procurando ajudar Marisa em seus problemas ou permitir se apaixonar pela inteligência e pelo companheirismo de Nash, que a conhece bem e consegue a deixar bem e feliz. Mas... onde se encaixa o misterioso webcast que a conhece como ninguém e que já deu o melhor conselho que ela pode esperar!
Adorei esse livro pelo fato de ser uma linguagem simples, ter uma boa lição e mostrar os problemas dessa fase da vida de forma fiel. Afinal, Marisa está enfrentando um turbilhão de mudanças agora e mais uma vez corre o risco de cair em depressão. Vale a pena ler. 

Foto: todateen


Hey, Karla! Obrigada! 


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23 março 2013

wonder


Imagina acordar todo dia e ao olhar no espelho perceber que o seu exterior não reflete o seu verdadeiro eu. Claro, isso acontece com você todo dia, afinal por dentro você é tão lindo e perfeito e por fora tem aquela espinha, aquele nariz um tanto pontudo.
Mas poderia ser pior. Você poderia nascido com uma combinação de suas síndromes, que resultariam em uma deformidade gravíssima no seu rosto; poderia ter passado por diversas cirurgias e mesmo assim continuar com seu lábio quase-leporino, com seus olhos caídos, suas bochechas murchas e orelhas estranhas. Tudo bem, eu sei que você nunca considerou esta hipótese.
Sei também que quando, por acaso, encontra pessoas assim na rua, encara-as duas vezes: uma vez sem querer, daí toma um pequeno susto e desvia o olhar rapidamente antes que percebam sua reação. Daí então, você espera que ninguém esteja olhando, e resolve estudar a pessoa de soslaio, rezando para ela não perceber. Sei disso porque você é igual a mim.
Nunca paramos para pensar a pessoa que pode existir atrás daquela face deformada. Será que ela gosta de ser observada? Por dentro ela é tão estranha quanto por fora? Ela já pensou em se matar? Ela tem amigos de verdade?!
É por isso que achei a leitura de Wonder, o Extraordinário, fascinante. Auggie é um garotinho apaixonante de dez anos que nunca foi a escola. Além de ter passado por diversas cirurgias, seus pais superprotetores nunca tinham cogitado entregar o filho aos olhares e comentários de outras crianças. Sim, das crianças, pois no mundo dos comentários inocentes e ferinos, os delas estão no topo.
Mas o Auggie é absolutamente normal. E maduro. Ele afirma isso no começo do livro com muita convicção, como se assim pudesse convencer o mundo todo a sua volta. E, pelo menos a mim, me convence. Através de uma narrativa muito agradável e rápida, apenas consegui enxergar uma linda criança que aprendeu muito cedo sobre como a vida pode ser injusta e desafiadora.
Porém Auggie enfrenta os desafios.  Ingressa em uma escola normal da quinta-série, e apesar de todas as dificuldades, de todos os olhares, de todas o bullying e de todo o preconceito velado, ele conquista o seu lugar no novo mundo .
A verdade é que todos nós temos defeitos. Alguns são mais visíveis, outros mais ocultos. Alguns são fáceis para as pessoas conviverem, outros nem tanto. E é disso que trata o livro. O livro é dividido em partes, e cada parte é narrada por alguém próximo a Auggie : Via, a irmã, Jack e Summer, os amigos,  e outros - além do próprio Auggie. Em cada parte descobrimos mais a respeito dessas pessoas e do que está oculto em cada uma delas.
Se eu pudesse, eu daria este livro a cada um de vocês. A história do Auggie e de tantos outros precisa ser compartilhada para que esta sociedade hipócrita aprenda de uma vez a  aceitar as pessoas como elas o são em sua essência, para que entendamos de uma vez que somos mais do que este corpo que nos serve de abrigo.

Já pensou em quantas pessoas EXTRAORDINÁRIAS deixamos de nos aproximar por motivos tolos?!


                                            
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19 março 2013

de repente... 30







existe um grupo de filósofos que acredita que o número 30 é uma extensão de um número infinito. 

assim sendo, seria maior que o próprio infinito.

sim, o 30 mesmo, aquele número depois do 29, antes do 31.
número composto, número atômico do zinco.
grande parte dos anúncios publicitários duram 30 segundos.
30 dias formam a maioria dos meses.
há 30 anos foram eleitos os primeiros governadores após a Ditadura.
30, a idade temida.

hoje eu prefiro apegar-me aos devaneios dos filósofos. somente hoje, 19 de março de 2013, concordo indubitavelmente  que o número 30 é uma extensão do infinito e, portanto, maior que o mesmo. afinal, Hazel Grace me confidenciou certa feita que alguns infinitos são maiores do que outros. hoje o infinito do 30 é maior, assim como em abril o do 31 será maior ainda. só não é maior do que o meu sentimento pela pessoa que expande meus infinitos todos os dias. 

meu bem, pra você o meu amor sem fim.

feliz 30x30 dias ♥



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tô sem carro.


     a faculdade está exigindo muito do meu tempo. tô com preguiça, aff! já marquei de sair com o pessoal do curso, vamos semana que vem pra praia? você sabe que eu não gosto de torta! é sério que você está me chamando para ir ver um filme francês?!
mas eu tô online no facebook. acabei de curtir 27 fotos no instagram. e já vou te responder no whatsapp. porque você não me liga mais?!
mil desculpas à todos vocês que já conseguiram trocar a vida real pelo contato pelas redes sociais, mas pra mim é vital o estar junto. só estando lado a lado que a gente consegue se entender pelo olhar, só estando lado a lado que os seus risos se tornam os meus risos.
           pra mim, o verdadeiro significado da palavra compartilhar vai muito além de um simples botão, mas as pessoas parecem estar esquecendo disso.
          parafraseando o que ouvi um dia desses, não me diga que está com saudades. diga que está vindo me ver.  quando a gente quer, a gente cria o tempo, inventa uma situação. pega um ônibus, marca um almoço de 15 minutos, desmarca certas coisas, mergulha em programas de índio, indica uma boa programação.
          não  há tempo que volte, mas há tempo que se recupere.  


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02 março 2013

A distância entre nós

Distância costuma ser definida como algo que separa dois pontos. Nada mais é que um intervalo, seja ele físico, emocional ou social. A grande esperteza dessa senhora é fazer a gente pensar que a controlamos: que estamos perto quando queremos, e longe quando bem entendemos. É fazer-nos pensar que ela realmente importa e que quanto mais distantes estivermos de algo, mais difícil será consegui-lo ou mantê-lo.
Será que a distância existe mesmo? Muitas vezes, ao observar as situações com olhos viciados, não vemos o que, em verdade, separa as pessoas.
Capa do Livro 
Thirity Umriga debate sobre tal conceito de distância com um plano de fundo bastante inspirador: a Índia. Neste cenário, repleto de cores, tradições, castas, religiões e desigualdades, somos apresentados as histórias de duas maravilhosas e solitárias mulheres.
Bhima é uma velha hindu analfabeta, porém bastante perspicaz, que mora em um casebre na favela com sua neta Maya. Sera é uma viúva parsi bem-educada e estudada. Toda manhã Bhima toma seu habitual ônibus, na atribulada Bombain, para a casa de Serabai, aonde trabalha como doméstica há muitos anos.
Duas mulheres separadas pela casta – patroa e empregada –, mas muito próximas em suas histórias pessoais de subjugação e opressão. Através da íntima relação entre a Senhora e sua criada, vemos potencializada a distância entre dois mundos: parsis X hindus, ricos X pobres, letrados X ignorantes, mulheres X homens. Cada um, ao seu modo, solitário e infeliz.
Ao longo da leitura, evidencia-se que é negado às indianas o direito de ser feliz. Elas não podem simplesmente fugir para Pasárgada, como Manuel Bandeira faria, pois lá não possuem amigos. Elas são oprimidas na sociedade e em seus próprios lares. Nenhuma delas, seja solteira, casada ou viúva, está isenta de tal sofrimento. Os homens não são amigos. Infiéis, manipuladores, ausentes: na narrativa de Umriga não temos outra opção de adjetivo para o sexo masculino indiano.
 “A Distância entre nós” é um romance narrado a partir da proximidade entre duas mulheres habitam em universos diferentes, mas se encontram através de suas faces humanas. A dor aparentemente não tem preconceito social. E conecta pessoas de formas inimagináveis, tal como conectou Bhima e Serabai, e mudou suas vidas e a forma como se relacionavam para sempre.
Se você leu O Caçador de Pipas ou A Cidade do Sol e gostou, A Distância Entre Nós deve entrar para sua lista.

Favelas Indianas

Beijos,
Agnes

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03 fevereiro 2013

À primeira vista

Será que de fato é possível amar alguém à primeira vista?!

Se me perguntassem isso, eu responderia categoricamente: não. Faço parte do grupo racionalista que acredita que o que ocorre na verdade, entre um homem e uma mulher, é atração à primeira vista. Mesmo que a pessoa seja sua alma gêmea, a metade da qual te separaram na descia para a Terra, muitos não se reconhecem tão fácil assim na Terra.
Atração sim existe. Existe e acontece várias vezes ao dia para muitas pessoas. Mas atração não é amor. Amor é cuidado, é carinho, é compartilhar, é saber-se amado e querido. Demanda tempo e paciência. Mas as recompensas são inimagináveis.
Acredito que o Nicholas Sparks concorda comigo. Em um dos seus mais recentes lançamentos, acompanhamos a história de Jeremy e de Lexie. Sim, você não leu errado, é aquele mesmo casal protagonista de O Milagre - vulgo o livro que eu menos tolero do Nicholas. Ganhei “À primeira vista” de uma grande amiga, de aniversário, logo mesmo não gostando do seu antecessor não poderia simplesmente não ler. Quando li a sinopse, não acreditei que eram eles. Que era aquela história uó das luzes. Nicholas, me entenda, mistério não é seu forte! Nem de levinho!
Iniciei a leitura com aquele sentimento de praxe que o leitor tem quando já não gosta de como começou uma história – somando-se ao fato de que ando meio muito às avessas com o Sparks, enfim. E O Jeremy ainda estava lá cheio de dúvidas sobre se deveria casar ou não com a Lexie, se a filha era mesmo dele, se ele iria gostar da cidade... Não sei porque, mas homens desequilibrados e em crise não me atraem em nada. Histórias que são narradas em favor deles então...
Foi a partir da Lexie que a história me conquistou. Uma mulher forte e decidida que trabalha em uma biblioteca <3  e que mesmo grávida e “frágil” é o ponto de apoio de seus amigos e do marido. Tá, devo confessar que algumas cenas de romance deles também são megas fofas.
Mas o ápice do livro pra mim é o momento em que o Sparks consegue me convencer que o amor a primeira vista existe sim. Não vou dizer como, nem porque, mas percebi que eles acontecem todos os dias e são encantadores, não importa o nível de tristeza e amargura em que estejamos envolvidos. Simplesmente acontece. Está lá, escrito.
E você, acredita no amor?! E no amor à primeira vista?! De que tipo?!

Beijos,
A. 



À primeira vista - Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580410556
Ano: 2012
Páginas: 256


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Editado por Agnes Carvalho. Imagens de tema por andynwt. Tecnologia do Blogger.

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