Maria costumava dizer que um dia iria mudar de vida, tudo iria ser diferente. Como nada de novo lhe acontecia, acreditava que aquela mesmice era o fardo de um nome tão ordinário. Decidiu, então, transformar-se em novas mulheres: acordava Tereza, almoçava Cecília, tomava chá Beatriz e dormia Jordana. Apesar dos novos nomes, apercebeu-se sempre a mesma, sem graça e sozinha. Por fim, cansou-se de tudo isso e decidiu ser apenas Maria.
29 outubro 2013
23 outubro 2013
Coisas duráveis
Volta
e meia escuto minhas tias mais velhas reclamarem que as coisas hoje em dia são
totalmente desprovidas de qualidade. As panelas
de antigamente. Ai, como o cobre durava! As peças de roupas, todas costuradas
pela vizinha, eram usadas por todos os irmãos - e olhe que meus avós tiveram 16
filhos. Os utensílios domésticos, que eram passados de pai para filhos como
herança. É, ainda temos alguns aqui, assim como toalhas e lençóis incrivelmente
bordados à mão.
Porém, nenhuma
das minhas velhas tias jamais observou - ao menos perto de mim - o que mais
caiu de qualidade nessa terra de loucos: as relações humanas. Casamentos que outrora duravam quarenta ou
cinquenta anos foram substituídos por relações frágeis como um nó dado por uma
criança. Hoje parece que qualquer coisa pode ser substituída facilmente através
de uma simples ida ao shopping, inclusive pessoas. Ao sinal de qualquer
desentendimento, as pessoas preferem se afastar e levarem suas fingidas vidas.
Ainda não conheci ato tão
bonito quanto o de se desculpar. De correr atrás. De mostrar que se preocupa.
De que aquela pessoa, seja sua mãe, amiga, namorado, ou até mesmo um vizinho, é
importante pra você, que você se interessa pelo modo que ela sente e enxerga
cada acontecimento. Reconhecer o erro, mesmo que esteja certo. Eu muitas vezes
já dei minha cara à tapa nesse sentido, tola romântica que sou. E quão não foi
a surpresa ao observar que, muitas vezes, aquela pessoa que eu tive o cuidado
de dizer me perdoa pisou também na
bola comigo e simplesmente ignorou o fato?
Sou boba, eu
sei, já me convencieram disso. Por
acreditar que as pessoas deveriam perceber que não somos de plástico,
substituíveis e sem emoções, como os produtos que lotam prateleiras por aí... Somos,
em verdade, como o papel. Uma vez usados, temos em nós marcas que nos seguirão
por toda a vida, positivas ou negativas. Porém, mesmo as que forem negativas
podem ser alteradas, seja com um corretivo, com um borrão malfeito de grafite (“ah,
vamos deixar isso pra lá!”) ou, em casos mais complicados, em processos de
reciclagens.
O fato é que
somos humanos. Estamos em constante processo de mudanças, evolução. Sabemos
ferir, mas também podemos aprender a pedir perdão e a desculpar os outros. E
por desculpar não quero dizer esquecer, apenas seguir em frente sem mágoas.
Talvez é esta coragem que falte aos transeuntes mais novatos neste planeta, coragem que talvez as minhas tias poderiam ensinar, mas até elas mesmas se esqueceram de como até mesmo as relações humanas eram, antigamente, eram mais duráveis.
22 outubro 2013
"Sdds"
Na era da tecnologia, da
informação e das redes sociais, somos cada vez mais estimulados a correr contra
o tempo, a responder e-mails e mensagens no impulso, compendiar encontros. No
vício, diversas palavras da língua portuguesa já foram abreviadas e suas siglas
são de conhecimento comum: vc, td, mt, qr, etc. Você poderia me perguntar se eu
gosto dessa tendência. Defensora da boa escrita e dessa língua ímpar, afirmo
sem hesitar que não. Acredito que tudo é mais bonito quando completo, até mesmo
as palavras.
Mas
isso não quer dizer que eu não me utilize desses recursos. Como usuária assídua
da internet, sou vítima sem perdão desses e de outros vícios que não devem ser
mencionados. Escrevo como uma desvairada, que mistura palavras longas e
formosas, para que estas não fiquem empoeiradas nas gavetas de minhas memórias,
com palavras curtas e sintetizadas, na esperança de que aqueles cinco minutos
sejam suficientes para responder as novas 137 mensagens no whatsapp.
Foi
através desse aplicativo que observei o uso constante de uma nova abreviação: “sdds”.
Ai, gente. Tá aí. Se tem uma palavra que eu não consigo abreviar é “saudade”. Já
tentei, já até digitei, mas sempre corrijo antes de enviar, e acabo perdendo
mais tempo do que se tivesse digitado correto desde o início.
Saudade
é uma coisa tão brasileira, tão calorosa, tão única e imensurável, que é impossível
resumir em quatro letras ou em duas consoantes. Será que ali vai caber tudo que
aquele verbete almeja sintetizar? Se é pra sentir uma saudade simplificada,
melhor sentir “falta”. Saudade é m a i o r. É como a “paciência”, do Lenine.
O cotidiano já
nos obriga a apressar tanta coisa, a ser mais razão e menos emoção em tantas situações, mais práticos... Sufocamos e calamos tanta coisa dentro de nós. Será que nem permissão temo para escrever
saudade, como todas as suas letras, sons e significados?
Saudade
é palavra latina, intraduzível, inexplicável. É vocábulo que nos abraça, pra
ser sentido por completo. E EU ME RECUSO a simplificá-la. Recuso-me a
senti-la pela metade, ligeiramente, sem alma. Vai saber se teremos tempo para
dizê-la ou senti-la mais uma vez... vai saber.
Começando... um conto.
Hey,
gente! Quanto tempo, hein?! Vão perdoando o sumiço... Mas nos últimos meses
minha vida passou por momentos insanos, que envolveram: 1. TFG de arquitetura; 2. TFG; 3. TFG; (...)
54. Colação de grau; 55. Solenidade; 56. Comemorações; 57. Ainda não caiu a
ficha.
Após
onze semestres de faculdade, muitas noites em claro, seis meses na Espanha, pensamentos
que oscilavam entre amor e ódio, finalmente o ciclo se fechou. Agora sou
Arquiteta e Urbanista diplomada com láurea (UHUL!) pela UFBa. AMÉM!
Não
vim aqui para falar de como foi gratificante concluir este curso, nem para
falar dos meus projetos futuros dentro da minha graduação. Quero somente
comunicar que agora que as coisas parecem estar voltando novamente aos eixos,
vou apertar o play em algumas coisas que ficaram em stand by na minha vida – acredite,
foram muitas.
Uma
delas foi a escrita. Empolgada agora com essa onda de depressão pós-formatura +
tempo livre, me inscrevi em uma oficina de contos para ver se me empenho mais
nesta arte e se aprendo um pouco sobre os mesmos e suas facetas.
Vou
compartilhar abaixo com vocês o conto que escrevi hoje rapidamente na aula, na
minha dinâmica de apresentação. Na verdade, como comentado na aula, não foi bem
um conto, pois: 1. não tenho experiência com os mesmos; 2. ficou parecendo mais
a introdução de um romance. Culpa desse gênero que não me larga.
Na
aula, tivemos que escolher uma palavra e iniciar uma história. A minha palavra
foi: dedicação. Esta foi apenas a minha primeira tentativa, escrita em 10min.
Ao longo das semanas vocês poderão acompanhar, aqui no blog, a minha evolução.
Enfim,
sem mais delongas, eis aqui o bendito:
Os
dedos frágeis de Ana percorriam com nostalgia os embolorados porta-retratos da
cristaleira de Aurora. Na primeira imagem, ainda colorida apenas por tons em
escala de cinza, lá estava ela aos onze meses, ensaiando seus primeiros passos.
O olhar,
curioso como o de um felino, já marcava a sua personalidade, e denotava a
recusa em caminhar segurando a mão da mãe.
A
segunda fotografia trazia a menina aos seis anos, em uma daquelas antigas e
típicas fotos escolares. O mesmo olhar, a mesma sede. Você aprendia tudo num pulo,
observou Aurora.
Em
seguida, aos onze, como vencedora de um projeto para a feira de ciências. O que
a fotografia não revelava a quantidade de tardes que ela se empenhou naquele
trabalho.
Passado
os anos, Ana cresceu. A sede por coisas novas também. Tinha aprendido que
melhor do que questionar, era procurar novas perguntas sem respostas.
Ana,
a neta dedicada de Aurora. Ana, a aluna laureada do curso de Química. Ana, que
mesmo em tempos Porém,
esta mesma Ana, que tem resposta para tudo o que lhe perguntam, ainda tem perguntas
que ninguém buscou responder. É, Ana. A vida tem dessas coisas.
28 setembro 2013
Cidades de Papel
Todos
nós tivemos amigos de infância, reais ou imaginários, certo? E anos depois,
mesmo quando aquela pessoa está longe ou com novos amigos, costumamos ainda
nutrir um carinho especial por ela – porque a gente ainda acredita que mesmo
longe, existe um pedaço daquela pessoa que só a gente conhece. Pelo menos
comigo é assim. E com o Quentin também.
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Quentin
Jacobsen acreditava que todo mundo tem seu milagre, e que o maior milagre da
vida dele era ser vizinho da Margo Roth Spiegelman. Mesmo que agora eles fossem
meros conhecidos na escola - correção: agora Margo era uma popular -, houve um
intervalo de tempo na infância deles em que eles compartilharam momentos só
deles.
Quando
Margo invade a vida de Q novamente, através da janela de seu quarto em uma
noite de maio, com a cara pintada e vestida como uma ninja e convocando-o para
participar de um engenhoso plano de vingança, ele não sabia que sua pacata vida
iria mudar radicalmente. Após uma madrugada de aventuras (que incluem invadir
ou arrombar curiosos lugares), Q descobre que a enigmática Margo fugiu da
cidade mais uma vez.
Curioso
com o padeiro da garota e enciumado por ela não o ter incluído nem avisado
desta vez, Q resolve descobrir o misterioso paradeiro de Margo, baseando-se em
algumas pistas. Porém, quanto mais ele estuda o caso, mas ele se distancia da
imagem da garota que achava conhecer e aprende mais sobre si mesmo.
Cidades
de papel é um livro que trata sobre aparências, sobre as coisas que realmente
importam e sobre os fios que nos conectam. John Green, através da sua já
admirada narrativa, nos apresenta personagens sólidos e totalmente críveis, perfeitamente
cabíveis na sociedade em que vivemos.
Através de
sacadas interessantes e de muita poesia, percebemos o quanto podemos nos
enganar com nós mesmos, como podemos idealizar os outros e como fatos do
passado podem refletir e moldar uma vida inteira, deixando sequelas positivas
ou negativas. E mesmo que algumas coisas sejam mais bonitas de longe, bom mesmo
é ver de perto e fazer parte.
Um recado
final pro Jonh Green: John, manda pra cá a sua lista de compras, porque até ela
deve ser interessante.

" Eis o que não é bonito em tudo isso: daqui não se vê a poeira ou
a tinta rachando ou sei lá o quê, mas dá para ver o que este lugar é de
verdade. Dá para ver o quanto é falso. Não é nem consistente o suficiente para
ser feito de plástico.
É uma cidade de papel. Que dizer, olhe para ela, Q: Olhe
para todas aquelas ruas sem saídas, aquelas ruas que dão a volta em si mesmas,
todas aquelas casas construídas para virem a baixo. Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas
vidas em casas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas. (…)
Todos idiotizados com a obsessão por possuir coisas. Todas as coisas finas e
frágeis feito papel. E todas as pessoas também. Vivi aqui durante dezoito anos
e nunca encontrei ninguém que se importasse com qualquer coisa."
24 setembro 2013
Olho por olho

Certos
episódios da vida repetem-se na história de muitas pessoas. Bullying, por
exemplo. Todos somos passíveis de julgamento externos e sensíveis aos mesmos,
mesmo que disfarcemos. Dói. Pensamos, então, em como pode mostrar que somos
melhores. Planejamos. Às vezes a vida responde pela gente. Ou podemos
simplesmente esquecer. Mas essa palavra não existe no vocabulário de Kat,
Lillia ou Mary. Esquecer... impossível. Elas querem apenas uma coisa: vingança.
Afinal, garotas crescidas não choram... elas acertam contas. E, uma coisa que começou
como uma simples brincadeira entre três quase-desconhecidas, toma forma e
atingindo rumos inesperados.
Em
OpO, o leitor é convidado a descobrir que não existe certo e errado, e que um
mesmo acontecimento sob diferentes pontos de vistas podem resultar em distantes
realidades. Para as garotas, estava valendo a lei do “olho por olho, dente por
dente”. O carma já não era mais suficiente, e elas decidiram que era hora de
algumas contas serem acertadas. Pode ter sido o ímpeto do momento ou o sufoco
de anos, o fato é que algo quebrou e nenhuma das três soube consertar sozinha.
Como é lugar
comum em livros desse tipo, os dramas da adolescência marcam presença. Não só
eles, como também aquela velha receita norte-americana: líderes de torcida sem
graça, capitão de time de futebol que se acha, garotas revoltadas donas da
razão, nerds que escrevem poemas, festa de formatura, etc. Essa é a parte chata
do livro. Pense naquele cliché dos filmes. Vai estar lá, igualzinho, sem
nenhuma crítica ou distorção. Começo a pensar que o problema mesmo estão nas
escolas de lá e nos seus armários perfeitos.
Escrito
em conjunto por duas escritoras promissoras da academia literária
norte-americanas, não posso negar que o livro possui uma narrativa - do tipo
que eu peguei ontem à noite e terminei ontem à noite. 300 páginas, sério mesmo.
As tramas, grande parte ambientadas no interior de um colégio nos EUA, são narradas
pelas três garotas, que se revezam contando as histórias (e suas histórias) de
acordo com seus pontos de vista ao decorrer dos capítulos.
Mesmo
com um final super sem graça (porqueeunãosabiaqueeraumatrilogia), é uma leitura
interessante se você tentar ler enxergando os diversos tipos de visões e as
coisas que nossas mentes podem criar. Certa vez li uma reportagem que dizia “o
inferno somos nós”. E é verdade. Só que algumas pessoas às vezes resolvem
habitar no inferno das outras.
FICHA
Autores: JENNY HAN | SIOBHAN VIVIAN
- Título: Olho por Olho
- Selo: NOVO CONCEITO
- Ano: 2013
- Número de páginas: 320
27 julho 2013
Fiquei com seu número
Sabe
aquela velha amiga sua do tempo do jardim de infância que você raramente vê,
mas que quando encontra o sentimento é o mesmo? É assim que a Sophie Kinsella
funciona pra mim. Por mais tempo que eu fique sem ler um livro dela, quando
tenho um em mãos o sentimento nunca muda. Por vezes até esqueço do quanto gosto
dela, comparando-a a outras escritoras do universo chick-lit, mas então me vejo
lendo algo dela e pensando no quão única essa inglesa é.
Afinal,
não é qualquer uma que consegue pegar uma história banal do dia-a-dia, em que
uma garota encontra um celular no lixo e fica com ele e panz, em um livro que
99% das pessoas que leram não conseguem largar. Essa garota é a Poppy Wyatt (Você
não achou esse nome engraçado?! Porque eu achei!), uma carismática e bondosa
fisioterapeuta que está noiva de um figurão sexy e inteligente, o Magnus
Tavish.
Poppy é tão
boa e preocupada em atender as pessoas à sua volta que, em um chá com as
amigas, permite que todas elas experimentem seu anel de noivado que pertenceu à
avó de Magnus. Afinal, ele é todo antigo e com esmeraldas perfeitas, e nenhuma
delas ainda tinha visto um daqueles. Entretanto, nunca podemos esquecer de
Murphy e de sua lei que faz com que coisas que pareciam certas desandem. Justo
no momento que as meninas experimentam a jóia, o alarme de incêndio do local
dispara. Correria. Desatenção. E um anel perdido na confusão.
Justo no dia
em que os pais dele, os altamente cultos e arrogantes Wanda e Antony regressam
de viagem. Como ela vai contar que perdeu o antigo anel de miliooones de
dinheiros da família, GOD?! Como?! Não, ela não vai contar. Os funcionários do
local irão achar o bendito e ligarão em pouco tempo para o celular dela avisando,
sim?! Poderia até ser que sim, se o celular dela não tivesse sido roubado
também na confusão. Como ela poderia ficar sem as duas coisas mais importantes
de sua vida?
Então, como em
uma recompensa do destino, a impulsiva Poppy encontra um celular jogado no
lixo. Não é a melhor das situações, mas pelo menos pegando-o ela teria um
número. E o que está no lixo não é de ninguém, é utilidade pública, e esse é um
de seus lemos. O que Poppy não sabia é aquele celular pertence à uma empresa.
Mais precisamente, a uma ex-assistente de um figurão do mundo corporativo, Sam
Roxton.
É depois dessa
confusão que o livro começa de fato. Ilustrando relações modernas, Kinsella nos
presenteia com personagens extremamente cômicos e humanos, pessoas como nós que
tem medo, inveja, e que, acima de tudo, buscam serem felizes. E as situações
narradas são as mais hilárias possíveis.
É interessante
acompanhar o amadurecimento de Poppy, sobretudo através das confusões que ela
se mete pelo celular de Sam. O fato é que ela pensa que o está ajudando ao se
comprometer a reencaminhar todas as mensagens do aparelho para ele, mas mal
sabe que na verdade é Sam quem mais a ajuda a se libertar de algumas amarras
invisíveis.
FCSN
é um livro tão delícia de ler que nem a edição em páginas brancas te cansa e
nem a capa infantil te desestimula. Pode acreditar. E as mais de 400 páginas
não parecem, ao final, nem 200, se você é como eu que fica rezando pro livro não
acabar. Porque este acabou rápido demais e eu já estou morrendo de saudades da
Poppy, do Sam e do celular deles.
| Foto: Melina Souza |
17 maio 2013
Expectativas
Ela detestava
acordar ao som do despertador do celular, mas o que poderia fazer?
Despertadores de verdade, daqueles que são reloginhos redondos ou quadrados
eletrônicos, eram considerados quase que itens vintages da decoração de uma
casa. Pensou em deixar o “soneca” tocar mais uma vez, mas desistiu.
Então, levantou
num impulso. Como se tivesse sido tocada por uma descarga elétrica. É que
finalmente recordou-se da importância daquele dia 17.
O dia amanheceu
como outro qualquer do outono na cidade: cinza, abafado e com nuvens escuras
que sinalizavam posteriores pancadas de chuvas. Ou que simplesmente elas sairiam
e o sol abrira de vez. Ela, otimista como sempre, olhou pela janela e ouviu
alguns passarinhos cantarem no seu jardim. Ficou com a segunda opção e calçou
suas sapatilhas douradas novas no lugar da velha bota gasta pela chuva. Prendeu
o cabelo em uma espécie de coque e jogou um blush na cara, na expectativa de
que aquele pó trouxesse um pouco de brilho ao seu semblante. Afinal, aquele era
o dia. Seria tudo perfeito!
Ela ainda não havia
aprendido que a expectativa é um dos maiores inimigos da humanidade. Que toda vez que esperamos algo com muito
afinco, não importa o quão bobo esse algo seja, fantasiamos sobre infinitas
possibilidades que poderiam acontecer. E de repente, BUM. Acontece o que você
estava prevendo. Da maneira certinha. Sim, se você é uma personagem de
conto-de-fadas, sim. Ela achava-se personagem. Achava-se abençoada. Achava-se
entendida e realista. Mas a vida não concordava. Quem ela era para se achar tão
especial?! Ela era uma garota comum, como eu ou você, oras.
Minha querida
menina, caso ninguém tenha lhe dito ainda, sempre tem o dia em que a carta não
chega. Ou que o plano te ferra. Sempre chega o dia em que você esperará em vão
por algo que não se concretizará ou alguém que não virá. O vôo atrasará. A
sessão lotará na sua vez. Você chegará atrasada naquela reunião que você iria
apresentar seu negócio. E que seu nome não estará naquela temida lista. Mas, e
agora?
Ela chegou em
casa com as sapatilhas enlameadas, coração queixoso e rosto borrado. O coque
pendia para o lado, inconstante. Sentou-se no parapeito da janela,
desacreditada, e pôs-se a observar o céu. Perdeu-se, então, no barulho do choro
de ambos. Não sabia se quem mais chorara naquele período: se fora ela ou ele. Porém,
não sabia também o momento exato em que resolvera levantar impetuosamente, tal
como de manhã.
Foi como se
uma fada tivesse soprado no seu ouvido: “O importante, garota, não é como
aquela adversidade conseguiu te atingir. O que passou, não importa. O que
passou não tem nada novo a te dizer. O importante é como você reagirá a tudo
isso, menina. Portanto, enxugue as lágrimas. Agradeça o mínimo de bom que tenha
lhe acontecido. E o de ruim também, afinal tudo nesta vida é experiência.”
Então, ela
enxugou o rosto molhado com a palma da mão. Prendeu o soluço. Desatou o coque. Tomou
um banho, expulsou aquelas energias, e decidiu dormir, para que tudo de ruim
que lhe tinha acontecido ficasse nesse dia 17 e não tivesse mais nada para
dizer a ela do dia 18 em diante. Do que tinha acontecido nesse dia, ela não
contaria a ninguém.
10 maio 2013
O livro do amanhã
Como
seria se soubéssemos o que o amanhã nos reserva? Nós o consertaríamos?! Será que
conseguiríamos?
Um
livro com frases de efeito como essas na chamada, mais o mega-plus de ter sido
escrito pela Cecelia Ahern (Ps. Eu te amo), temo como não surgir aquela vontade
de ler?! Ainda não? Então deixa eu deixar mais interessante: tudo se passa na
Irlanda. Irlanda. Bom, se até agora eu não te disse nada de convincente, melhor
você parar de ler por aqui.
Porém,
se você se deixou levar por pelo menos um dos itens acima, vem comigo nessa
aventura que eu vou te apresentar a Tamara. Na verdade, não sei bem se você vai
gostar de conhece-la, pois Tamara é mais uma garota bem-nascida mimada e arrogante.
Daquelas que nunca precisou se preocupar com o dia de amanhã, pois papai rico e
mamãe perfeita não lhe ensinaram que a vida é, na verdade, uma bela de uma
caixinha de surpresas.
Pois
bem. Quando repentinamente este papai rico se suicida, e a mamãe perfeita
enlouquece ao descobrir-se inundada de dívidas, o que acontece?!
Tamara
e sua mãe são obrigadas a sair da mansão em que moravam em Dublin e a se
mudarem para a casa dos tios de Tamara, em um vilarejo do interior irlandês. A
única diversão de Tamara no interior se torna, então, as ruínas de um antigo
castelo próximo ao local aonde moram seus esquisitos tios, uma biblioteca
itinerante e a amizade inesperada com uma freira.
Em
uma das visitas da biblioteca – e do seu lindo motorista – à cidade, Tamara
encontra um livro muito misterioso, com textos escritos com sua caligrafia
torta e datados sempre para o dia seguinte. Quando as coisas em sua vida
começam a acontecer exatamente como o livro (ou diário?!) previa, Tamara
percebe que pode ter encontrado um atalho para solucionar seus muitos
problemas. Ou não.
Impossível
não se identificar com a petulância da garota, que sempre tem resposta para
tudo, mas que no fundo só quer o bem da mãe depressiva e entender melhor sobre
a sua própria história de vida.
Quem
nunca sonhou em poder prever o futuro? Mas, ao mesmo tempo, quantas vezes já
imaginamos consequências estrondosas?! Saber das coisas tem o seu preço. E
Tamara descobre bem isso no decorrer do livro. O que era pra ser um livro comum
sobre uma adolescente de caráter duvidoso torna-se uma história bastante
misteriosa, recheada de bons diálogos, risadas e lições.
Só
não esqueça esta lição da Tamara: você pode direcionar o seu futuro, só não
pode fugir dele!

24 abril 2013
Esperando por você
* Super-resenha elaborada pela moderadora Karla Corrêa (:
Um dos livros com uma história
adolescente que mais me prendeu a atenção ultimamente. Um clichê tão gostoso
daqueles que você continua lendo querendo saber qual será o desfecho da
história amorosa e de tudo que cerca Marisa – a protagonista.
Esta bela obra fala de Marisa, uma
adolescente de 15 anos que no ano anterior fez terapia devido ao seu distúrbio
de ansiedade que gerou uma depressão nela. Todos na escola onde a mesma
estudava achavam Marisa estranha pelo fato de ter todos esses problemas
psicológicos. Mas esse ano, marcado por sua entrada no Ensino Médio, ela e sua
melhor amiga Sterling prometem que tudo dará certo esse ano e que as duas irão
começar a namorar seus caras do sonho.
O candidato que Marisa acha perfeito
se chama Derek, um menino lindo, surfista, simpático, popular e que... já tem
uma namorada. Mas isso nunca a impediu que sonhasse com o rapaz.
Marisa também tem seu amigo Nash da
qual ela ficou afastada durante muito tempo, mas os dois faziam trabalhos da
escola na casa de Nash. Agora, no Ensino Médio, na mesma sala eles se
reaproximam para fazer trabalhos juntos. Nash é um menino muito inteligente,
porém confessa gostar da Marisa. Ela não mantem o mesmo sentimento por ele,
logo se afasta outra vez.
Já na escola o assunto do momento é
uma Webcast onde há um cara que consegue dar conselhos para os outros
adolescentes, colocar música boa e sabe TUDO que ocorre na escola, até mesmo os
problemas da direção.
No lar de Marisa, a situação está
complicada: seus pais estão se separando devido a traição de uma das partes e
ela não se dá muito bem com sua irmã que tem ideias muito avançadas para uma
menina de 12 anos.
Toda história bem adolescente e a
questão de sempre: deixar se levar pela aparência de Derek mesmo ele não sendo
o namorado perfeito e companheiro, que está sempre procurando ajudar Marisa em
seus problemas ou permitir se apaixonar pela inteligência e pelo companheirismo
de Nash, que a conhece bem e consegue a deixar bem e feliz. Mas... onde se
encaixa o misterioso webcast que a conhece como ninguém e que já deu o melhor
conselho que ela pode esperar!
Adorei esse livro pelo fato de ser
uma linguagem simples, ter uma boa lição e mostrar os problemas dessa fase da
vida de forma fiel. Afinal, Marisa está enfrentando um turbilhão de mudanças
agora e mais uma vez corre o risco de cair em depressão. Vale a pena ler.
| Foto: todateen |
Hey, Karla! Obrigada!
23 março 2013
wonder
Imagina
acordar todo dia e ao olhar no espelho perceber que o seu exterior não reflete
o seu verdadeiro eu. Claro, isso acontece com você todo dia, afinal por dentro
você é tão lindo e perfeito e por fora tem aquela espinha, aquele nariz um tanto
pontudo.
Mas poderia
ser pior. Você poderia nascido com uma combinação de suas síndromes, que
resultariam em uma deformidade gravíssima no seu rosto; poderia ter passado por
diversas cirurgias e mesmo assim continuar com seu lábio quase-leporino, com
seus olhos caídos, suas bochechas murchas e orelhas estranhas. Tudo bem, eu sei
que você nunca considerou esta hipótese.
Sei também que
quando, por acaso, encontra pessoas assim na rua, encara-as duas vezes: uma vez
sem querer, daí toma um pequeno susto e desvia o olhar rapidamente antes que
percebam sua reação. Daí então, você espera que ninguém esteja olhando, e
resolve estudar a pessoa de soslaio, rezando para ela não perceber. Sei disso
porque você é igual a mim.
Nunca paramos
para pensar a pessoa que pode existir atrás daquela face deformada. Será que
ela gosta de ser observada? Por dentro ela é tão estranha quanto por fora? Ela
já pensou em se matar? Ela tem amigos de verdade?!
É por isso que
achei a leitura de Wonder, o Extraordinário, fascinante. Auggie é um garotinho
apaixonante de dez anos que nunca foi a escola. Além de ter passado por
diversas cirurgias, seus pais superprotetores nunca tinham cogitado entregar o
filho aos olhares e comentários de outras crianças. Sim, das crianças, pois no
mundo dos comentários inocentes e ferinos, os delas estão no topo.
Mas o Auggie é
absolutamente normal. E maduro. Ele afirma isso no começo do livro com muita
convicção, como se assim pudesse convencer o mundo todo a sua volta. E, pelo
menos a mim, me convence. Através de uma narrativa muito agradável e rápida,
apenas consegui enxergar uma linda criança que aprendeu muito cedo sobre como a
vida pode ser injusta e desafiadora.
Porém Auggie enfrenta
os desafios. Ingressa em uma escola
normal da quinta-série, e apesar de todas as dificuldades, de todos os olhares,
de todas o bullying e de todo o preconceito velado, ele conquista o seu lugar
no novo mundo .
A verdade é
que todos nós temos defeitos. Alguns são mais visíveis, outros mais ocultos.
Alguns são fáceis para as pessoas conviverem, outros nem tanto. E é disso que
trata o livro. O livro é dividido em partes, e cada parte é narrada por alguém
próximo a Auggie : Via, a irmã, Jack e Summer, os amigos, e outros - além do próprio Auggie. Em cada
parte descobrimos mais a respeito dessas pessoas e do que está oculto em cada
uma delas.
Se eu pudesse,
eu daria este livro a cada um de vocês. A história do Auggie e de tantos outros
precisa ser compartilhada para que esta sociedade hipócrita aprenda de uma vez
a aceitar as pessoas como elas o são em
sua essência, para que entendamos de uma vez que somos mais do que este corpo
que nos serve de abrigo.
Já pensou em
quantas pessoas EXTRAORDINÁRIAS deixamos de nos aproximar por motivos tolos?!
19 março 2013
de repente... 30
existe um grupo de filósofos que acredita que o número 30 é uma extensão de um número infinito.
assim sendo, seria maior que o próprio infinito.
sim, o 30 mesmo, aquele número depois do 29, antes do 31.
número composto, número atômico do zinco.
grande parte dos anúncios publicitários duram 30 segundos.
30 dias formam a maioria dos meses.
há 30 anos foram eleitos os primeiros governadores após a Ditadura.
30, a idade temida.
hoje eu prefiro apegar-me aos devaneios dos filósofos. somente hoje, 19 de março de 2013, concordo indubitavelmente que o número 30 é uma extensão do infinito e, portanto, maior que o mesmo. afinal, Hazel Grace me confidenciou certa feita que alguns infinitos são maiores do que outros. hoje o infinito do 30 é maior, assim como em abril o do 31 será maior ainda. só não é maior do que o meu sentimento pela pessoa que expande meus infinitos todos os dias.
meu bem, pra você o meu amor sem fim.
feliz 30x30 dias ♥
tô sem carro.
mas eu tô online
no facebook. acabei de curtir 27 fotos no instagram. e já vou te responder no
whatsapp. porque você não me liga mais?!
mil desculpas
à todos vocês que já conseguiram trocar a vida real pelo contato pelas redes
sociais, mas pra mim é vital o estar junto. só estando lado a lado que a gente
consegue se entender pelo olhar, só estando lado a lado que os seus risos se
tornam os meus risos.
pra
mim, o verdadeiro significado da palavra compartilhar vai muito além de um
simples botão, mas as pessoas parecem estar esquecendo disso.
parafraseando o que ouvi um dia desses, não me diga que está com saudades. diga
que está vindo me ver. quando a gente
quer, a gente cria o tempo, inventa uma situação. pega um ônibus, marca um
almoço de 15 minutos, desmarca certas coisas, mergulha em programas de índio,
indica uma boa programação.
não
há tempo que volte, mas há tempo que se recupere.
02 março 2013
A distância entre nós
Distância costuma ser definida como
algo que separa dois pontos. Nada mais é que um intervalo, seja ele físico,
emocional ou social. A grande esperteza dessa senhora é fazer a gente pensar
que a controlamos: que estamos perto quando queremos, e longe quando bem
entendemos. É fazer-nos pensar que ela realmente importa e que quanto mais
distantes estivermos de algo, mais difícil será consegui-lo ou mantê-lo.
Será que a
distância existe mesmo? Muitas vezes, ao observar as situações com olhos
viciados, não vemos o que, em verdade, separa as pessoas.
![]() |
| Capa do Livro |
Thirity Umriga
debate sobre tal conceito de distância com um plano de fundo bastante
inspirador: a Índia. Neste cenário, repleto de cores, tradições, castas,
religiões e desigualdades, somos apresentados as histórias de duas maravilhosas
e solitárias mulheres.
Bhima é uma
velha hindu analfabeta, porém bastante perspicaz, que mora em um casebre na
favela com sua neta Maya. Sera é uma viúva parsi bem-educada e estudada. Toda
manhã Bhima toma seu habitual ônibus, na atribulada Bombain, para a casa de Serabai, aonde trabalha como doméstica
há muitos anos.
Duas mulheres
separadas pela casta – patroa e empregada –, mas muito próximas em suas
histórias pessoais de subjugação e opressão. Através da íntima relação entre a
Senhora e sua criada, vemos potencializada a distância entre dois mundos:
parsis X hindus, ricos X pobres, letrados X ignorantes, mulheres X homens. Cada um, ao
seu modo, solitário e infeliz.
Ao longo da
leitura, evidencia-se que é negado às indianas o direito de ser feliz. Elas não
podem simplesmente fugir para Pasárgada,
como Manuel Bandeira faria, pois lá não possuem amigos. Elas são oprimidas na
sociedade e em seus próprios lares. Nenhuma delas, seja solteira, casada ou
viúva, está isenta de tal sofrimento. Os homens não são amigos. Infiéis,
manipuladores, ausentes: na narrativa de Umriga não temos outra opção de adjetivo
para o sexo masculino indiano.
“A Distância entre nós” é um romance narrado a
partir da proximidade entre duas mulheres habitam em universos diferentes, mas
se encontram através de suas faces humanas. A dor aparentemente não tem
preconceito social. E conecta pessoas de formas inimagináveis, tal como
conectou Bhima e Serabai, e mudou suas vidas e a forma como se relacionavam
para sempre.
Se você leu O
Caçador de Pipas ou A Cidade do Sol e gostou, A Distância Entre Nós deve entrar
para sua lista.
| Favelas Indianas |
Beijos,
Agnes
03 fevereiro 2013
À primeira vista
Será que de fato é possível amar
alguém à primeira vista?!
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Se me
perguntassem isso, eu responderia categoricamente: não. Faço parte do grupo
racionalista que acredita que o que ocorre na verdade, entre um homem e uma
mulher, é atração à primeira vista. Mesmo que a pessoa seja sua alma gêmea, a
metade da qual te separaram na descia para a Terra, muitos não se reconhecem
tão fácil assim na Terra.
Atração sim
existe. Existe e acontece várias vezes ao dia para muitas pessoas. Mas atração
não é amor. Amor é cuidado, é carinho, é compartilhar, é saber-se amado e
querido. Demanda tempo e paciência. Mas as recompensas são inimagináveis.
Acredito que o
Nicholas Sparks concorda comigo. Em um dos seus mais recentes lançamentos, acompanhamos
a história de Jeremy e de Lexie. Sim, você não leu errado, é aquele mesmo casal
protagonista de O Milagre - vulgo o livro que eu menos tolero do Nicholas.
Ganhei “À primeira vista” de uma grande amiga, de aniversário, logo mesmo não
gostando do seu antecessor não poderia simplesmente não ler. Quando li a
sinopse, não acreditei que eram eles. Que era aquela história uó das luzes.
Nicholas, me entenda, mistério não é seu forte! Nem de levinho!
Iniciei a
leitura com aquele sentimento de praxe que o leitor tem quando já não gosta de
como começou uma história – somando-se ao fato de que ando meio muito às
avessas com o Sparks, enfim. E O Jeremy ainda estava lá cheio de dúvidas sobre
se deveria casar ou não com a Lexie, se a filha era mesmo dele, se ele iria
gostar da cidade... Não sei porque, mas homens desequilibrados e em crise não
me atraem em nada. Histórias que são narradas em favor deles então...
Foi a partir
da Lexie que a história me conquistou. Uma mulher forte e decidida que trabalha
em uma biblioteca <3 e que mesmo
grávida e “frágil” é o ponto de apoio de seus amigos e do marido. Tá, devo
confessar que algumas cenas de romance deles também são megas fofas.
Mas o ápice do
livro pra mim é o momento em que o Sparks consegue me convencer que o amor a
primeira vista existe sim. Não vou dizer como, nem porque, mas percebi que eles
acontecem todos os dias e são encantadores, não importa o nível de tristeza e
amargura em que estejamos envolvidos. Simplesmente acontece. Está lá, escrito.
E você,
acredita no amor?! E no amor à primeira vista?! De que tipo?!
Beijos,
A.
À primeira vista - Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580410556
Ano: 2012
Páginas: 256
17 janeiro 2013
O Hobbit
Sabe aquele
livro que você tem em casa há séculos, e justamente por isso sempre coloca
outro e outro e outro e outro na frente? Os novos, os emprestados, os que são
seriados, os que irão ser adaptados para o cinema... OPA! Foi bem nesse quesito
que O Hobbit se encaixou nas minhas listas, e saltou na frente de uns três
volumes pelo menos.
Desde que li ‘O
Senhor dos Anéis’ prometi a mim mesma que leria toda a obra deste gênio chamado
J. R. R. Tolkien. Aliás, gênio é A palavra para descrevê-lo. Sempre admirei
essas pessoas de mentes inventivas que conseguem criar outros mundos, outras
realidades – Nárnia, Guerra dos Tronos, Harry Potter - e a Terra-Média, com seus orcs, elfos, dragões
e outros supera qualquer expectativa... que sujeito impressionante! Não li O Hobbit logo em seguida por
motivos obviamente entendidos por quem leu a trilogia dos Anéis: minha mente
pedia um break de tanta descrição. Meses depois engatei a leitura de O
Smillarion, mas o outro filho único continuava na estante.
Como muitos já
conferiram na adaptação cinematográfica do livro, O Hobbit narra as aventuras
de Bilbo Bolseiro, uma pequena e adorável criatura que vivia uma vida
confortável em sua toca no Condado. Repentinamente, um mago e mais 13 anões
estão em sua sala, comendo toda a reserva de comida do pobre hobbit, planejando
resgatar um tesouro guardado por um dragão.
Pouca coisa, não é?! O lado Bolseiro de Bilbo, caseiro e acomodado, nada
mais espera do que que aqueles estranhos saiam de sua sala e esqueçam a parte
de que ele seria o ‘ladrão’ da trupe. Mas o lado Tuk, um tanto mais aventureiro
e corajoso, fica um tanto empolgado com a possibilidade de aventuras por outras
florestas e montanhas. Meio querendo, e meio não querendo, Bilbo resolve acompanhar os anões na longa jornada.
Começa, então,
a viagem do grupo liderado por Thorin – líder dos anões - pelos caminhos desse
mundo fantástico. O que lemos não é uma simples ficção, é um relato de alguém
que parece realmente ter passado por aquilo tudo, como se fosse um velho amigo
seu lhe contando algo. Tolkien espertamente interage com o leitor em diversas
partes do livro, cativando muitos logo de cara com sua narrativa ímpar – sério,
em alguns momentos respondi as perguntas retóricas dele aos ventos! Sua costumeira
descrição extremista nos deixa informado desde os formatos dos anéis de fumaça
dos charutos até a quantidade de botões da camisa do hobbit. Aqui os
acontecimentos acontecem em uma velocidade maior que na aclamada trilogia,
porém não com menos emoção. Todas as sensações tem espaço reservado na trama e
Tolkien utiliza-se muito bem cada um deles, intercalando-os com canções e
charadas muito bem elaboradas.
Ao passo que a
leitura avançou, impossível não afirmar que Bilbo teve mais sorte do que
coragem. São tantas as situações que ele escapou por um triz - como se o
escrito estivesse tentando manter o personagem principal vivo de qualquer
forma, óhh! Maiores ainda é o número de vezes que ele, por mero acaso,
conseguiu salvar a vida dos seus companheiros. Impressionante como eles
conseguem se safar de tudo (wargs, globins, trolls), bem igual a vida real – só
que não. Mas o sujeitinho Bilbo cresce, ganha coragem e confiança em si mesmo e vira Homem com H. Claro que tudo isso tem a influência de um certo anel que ele achou ao conhecer um tal de Gollum, mas isso é história pra outros livros...
Intrigada com a
exagerada sorte de Bilbo, procurei saber mais sobre os motivos que levaram
Tolkien a escrever o livro, e descobri algo ÓBVIO: o Hobbit foi escrito para
crianças. Ashamed of myself. God, porque eu não percebi isso?! Tolkien queria
abrir as portas do mundo da fantasia para a garotada, assim como fez o seu
amigo C. S. Lewis. E eu conheço muitas
crianças que poderiam tirar algum proveito das lições de vida aprendidas pelo
Sr. Bolseiro em suas andanças. E muitas crianças-grandes também.
Para mim este
na verdade é um livro para todas as idades. Os ensinamentos ali contidos valem
mais do que qualquer tesouro guardado por um dragão. E todos deveriam
compartilhar com o hobbit a função de ladrão e guardar egoisticamente para si
algo da história. Afinal, o livro é o ponto de partida de uma história maior
ainda. De uma história... PRECIOSA!
"_ Aonde você foi, se me permite perguntar?
Disse Thorin a Gandalf
enquanto os dois cavalgavam.
_ Fui olhar à frente - disse ele.
_ E o que o trouxe de volta bem na hora?
_ O olhar para trás - disse ele."
12 janeiro 2013
dia 12
Já se passaram doze dias desde o começo do
ano. Será que todas aquelas coisas que você prometeu a si mesma, de olhos
fechados, enquanto pulava as obrigatórias sete ondinhas, já começaram a
acontecer?
Quais foram as suas juras?! Já começou a
comer menos carboidratos?! Já parou de implicar com sua irmã?! Já está
praticando algum exercício físico? Já apagou aquele número da sua agenda e
aquele nome da sua vida de vez?! (...) Você já?! Porque eu não. Uma das coisas
que recordo ter pensado ao romper do ano foi: vou escrever mais. Preciso escrever
mais. Vou continuar meus projetos. Vou atualizar o blog. Mas esse meu ano não começou no dia primeiro
de janeiro. Nem o ano dos carboidratos, das irmãs, da academia...
“Meus anos” começam aos poucos. Na última
semana de dezembro e na primeira semana de janeiro vivi o que posso chamar de
um período de entressafra. Desencanei-me das minhas obrigações e dei um tempo.
Um tempo pra mim, pra minha vida. Disse WAIT! as horas extras no estágio e aos
intermináveis freelances. Dediquei mais tempo à minha família e ao meu noivo.
Desapeguei da internet.
Porém, tudo que pára, recomeça. Não
necessariamente no início do ano. Pode ser depois da primeira semana do mesmo,
quando você chegou daquela viagem. Ou na próxima segunda-feira. Baianos como eu
costumam dizer que o ano só começa depois do Carnaval. Mas eu não podia esperar
o Carnaval passar para voltar à arquitetar, porque deveria espera-lo passar
para voltar à escrever?!
Então, meu novo ano no Rascunhos e Borrões
começa hoje – enquanto meus outros prometidos ainda estão em stand by. Não vou
prometer escrever aqui sempre, mas sim sempre que tiver vontade. Prometo também
não procrastinar minhas leituras (acontecimento inédito do final de 2012!), não
atrasar minhas séries, não abandonar minhas idéias e escrever o que vier. E se
por acaso eu falhar em qualquer uma dessas promessas, eu recomeço esse meu ano
de novo ;)
Obrigada a todos que estão seguindo,
comentando e incentivando o blog, seja por aqui ou na página do facebook. Em
2013 estaremos por aqui, com mais livros, mais ideias e mais inspirações!
E se você não começou a por em prática ainda
nenhuma das suas juras de 2013, porque não começar agora?!
18 dezembro 2012
Marina
Marina é refúgio. Dos barcos, das pequenas embarcações, e, sobretudo, dos solitários Garmán e Óscar Drai. E quem ou o que refugia Marina?! Como em uma relação simbiótica, a menina dos olhos cinzentos também se refugia em seu pai, no menino que invadiu sua casa e roubou um relógio de bolso pesado e antigo, em seus escritos e nas lembranças das histórias que nunca viveu.
Porém Marina teve a oportunidade de viver a mais fantástica das histórias, acompanhada por seu mais novo amigo, o menino Oscar Drai, e de uma outrapersonagem. Carlos Ruiz Zafón, ao escrever esta incrível aventura, elegeu uma terceira protagonista para sua narrativa: Barcelona. A cidade-personagem atua de forma única no desenrolar da história e seria impossível tratar as ruas do bairro antigo apenas como meros planos de fundo.
Óscar, um garoto de quinze anos, costuma passar suas horas livres do internato vagando por essas ruas estreitas e cheias de histórias. Admirador da arquitetura da cidade, o estudante se encanta por um casarão aparentemente abandonado e resolve se aventurar por dentro da casa. Só que o casarão não estava abandonado. Muito menos vazio. Ao ouvir o som de uma voz belíssima, Óscar logo percebe que não está sozinho e foge, sem perceber que segurava em suas mãos um relógio de bolso em ouro que já não funcionava mais.
Alguns dias depois, ele retorna ao casarão com o propósito de devolver o relógio, mal sabendo que lá faria amigos que mudariam sua vida para sempre. Kafa, o gato. Marina, a menina dos olhos cinzentos. E Germán, o pai artista e doente da menina. Entres eles surge uma conexão imediata e é neste ponto que o livro foge para um tipo de história que eu jamais imaginaria.
Através de Marina, Oscar descobre a história da mulher vestida de negro que visita uma sepultura sem inscrições no cemitério, sempre à mesma hora e à mesma data. Os então amigos passam boa parte de seus dias tentando desvendar o mistério dessa mulher, e acabam descobrindo mistérios não tão simples.
Conduzido pelo olhar do Oscar, o leitor é convidado a desvendar um grande enigma. Casarões, palacetes, estufas, corpos mutilados, borboletas negras, verdades omitidas, doenças... segredos. Afinal, “ Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma.” E alguns segredos podem ser assustadoramente macabros.
“Marina” fala, em essência, sobre as várias faces do amor. Mas nada se parece com qualquer outra literatura que temos por aí. A cada capítulo, novas informações são acrescentadas, fazendo com que nós, caros leitores, tentemos a todo custo desvendar o mistério junto com os protagonistas.
Ainda não havia lido nada do Zafón, e comprei Marina certa de que leria um bom drama espanhol. Mas fui surpreendida e me deixei surpreender. Fantasiosamente. E descobri que ao contrário da Marina de Caymmi, que se pintava para o mundo, a Marina de Zafón pintou a realidade para si. E dessa Marina, meu caro, é impossível que fiquemos de mal.
" Marina me disse que a gente só
se lembra do que nunca aconteceu
. Ainda ia se passar uma eternidade
antes que eu pudesse compreender
essas palavras. "
15 novembro 2012
O Diário de Suzana para Nicolas
Por
meio deste texto, confesso: sou completamente aficionada por livros escritos em
forma de diários, cartas ou bilhetes. O Garoto da Casa ao Lado, As vantagens de
ser Invisível, Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz... não importa o ano de publicação
ou o gênero literário, eu simplesmente não resisto. E foi justamente por isso
que O Diário de Suzana para Nicolas entrou no meu carrinho no site da Saraiva.
Procurava um bom romance e...
Pimba!
Encontrei o lançamento da Arqueiro que parecia preencher todos os requisitos:
um casal cult encantador, um passado obscuro e um diário que revelará algumas
respostas. Matt então rompe com Katie. Assim, sem explicação lógica nenhuma na
confusa cabeça da editora de NY<3. Na petulante tentativa de tentar explicar
as coisas à Katie sem dizer uma palavra de justificativa sequer, Matt apela
para um artifício que, como poeta, sabe usar com maestria: as palavras. E, no
dia seguinte após o rompimento, Katie encontra um pacote deixado em sua porta
por Matt, que contém um pequeno caderno titulado: “Diário de Suzana para
Nicolas”.
Katie
então passa alguns dias folheando aquelas páginas, avançando conforme suas
dores pessoais permitem. E descobre quem foi Suzana, Nicolas e qual a relação
daquelas pessoas com o seu Matt. Sobretudo, descobre o papel de cada um deles
no fim de seu relacionamento.
O
diário torna-se, então, companheiro de Katie. Por que Matt teria lhe deixado
aquelas páginas?! Através dele ela começa a compreender um pouco mais sobre o
homem que ama. Sobre quais são as verdadeiras prioridades da vida. Sobre qual é
o verdadeiro significado da palavra sorte.
Patterson
intercala passagens do Diário com o dia-a-dia de Katie enquanto lê aquelas
palavras. Ele escreve um romance simples, direto e bonito. Talvez se a história
tivesse sido criada por uma mulher, o livro teria umas cem páginas a mais com
descrições detalhadas de sentimentos e das situações... e disso senti falta um
pouco. James pecou pela falta.
Incomodou-me
também a quantidade de dias que a Katie levou lendo o diário. CARAMBA, eu li o
livro em duas horas! Ou seja, o diário e a vida dela! E ela passou dias
lendo-o! Fico imaginando que tipo de mulher aguentaria ler duas ou três páginas
por dia de um diário que poderia dar muitas respostas para sua vida... eu mesma
sei, como sou uma curiosa de carteirinha, que leria tudo na mesma sentada, não
importa quantas horas levassem!
Enfim,
sabe aquele romance que apesar de ter um final previsível você também sabe que
poderia ter sido melhor aproveitado?! Este é um deles. Depois de ler algumas
pessoas falando sobre este livro, afirmando que haviam chorado e etc, fiquei
até impressionada comigo mesma, pois sou uma chorona assumida. Mas não consegui
me conectar com a história da mesma forma que tinha me conectado com a sinopse.
Talvez eu estivesse apenas em um dia ruim. Talvez um dia eu releia, quem sabe.
Beijos,
A.
03 novembro 2012
O resgate - Nicholas Sparks
Logo
que comecei a postar aqui no blog confessei pra vocês a minha inclinação pelos
romances do Nicholas Sparks. Culpa de livros dois livros que li há oito anos
atrás: O Diário de uma Paixão e Um Amor para Recordar. Porém, desde o inicio de
2010 estou numa relação à ferro e fogo com o autor. São tantos livros lançados por ano que não sei
se ele se vendeu ou se a qualidade de seus romances decaiu mesmo. Ou os dois. De
uma coisa tenho certeza: ele quer ser a versão masculina da Meg Cabot ou da
Norah Roberts, certeza!
Esses
dias estava vasculhando o acervo de uma biblioteca daqui de Salvador e eis que
encontro entre seus títulos o livro O Resgate. Na mesma hora algo fez plim plim na minha cabeça e tive a certeza
de que conhecia aquele título. Fui olhar o autor e... bingo! Um dos títulos
antigos do Sparks que lembro que já tinha visto nas minhas pesquisas anos
atrás, mas que nunca encontrara por aqui nem na versão e-book! Decidi locar o
livro para tentar dar outra chance ao Nicholas, nem que fosse lendo seus
romances antigos.
O Resgate narra a história de Denise,
Kyle e Taylor. Denise é uma mãe solteira que abriu mão de tudo em sua vida para
se dedicar a criação de seu único filho, Kyle (04 anos), que apresenta desconhecidos
problemas de linguagem e dicção. Ao perder sua mãe, Denise se muda de Atlanta
para Edenton (na Carolina do Norte, adivinhem!), cidade natural de seus avós,
pois a família tinha uma propriedade ali e Denise não podia bancar os aluguéis
de Atlanta, já que largara seu emprego como professora para se dedicar
exclusivamente ao filho.
Taylor é um carpinteiro que
trabalha voluntariamente como bombeiro, em uma tentativa frustrada de afastar
fantasmas de seu passado. Embora seus amigos falem que ele já passou da hora de
casar, Taylor não consegue manter um relacionamento sério com ninguém.
Pronto, a fórmula está lançada: uma
mãe solteira e um filho carente de uma figura paterna serão resgatados por um
bombeiro de modo que suas vidas ficarão para sempre conectadas. E o
carpinteiro-bombeiro por sua vez também será resgatado, e a ele será dada uma
nova chance de aprender a lidar com os seus sentimentos. É isso mesmo?! É. Como
a maioria já deve saber, não existe muito mistério nos livros do Nicholas, a
não ser que envolva alguma doença.
Porém, desta vez, o Nicholas
escreve com uma propriedade tão grande sobre a doença que até me surpreendi. O
Kyle é um fofo, gente! Fiquei imaginando a rotina do tratamento dele, o quanto
deveria ser difícil pra Denise submeter o filho a tal rotina, a alegria dela ao
observar os progressos dele... Pesquisando, descobri que um dos filhos do
Nicholas sofria do mesmo problema do Kyle: dislexia de som. Então, tudo
explicado, né?!
Tive literalmente um pouco resgatada a
vontade ler mais do Nicholas. Mas não um exemplar dessa enxurrada que está
sendo lançada à torto e à direita! Quero os romances antigos, em que ele se
entregava aos seus textos e nos presenteava com diálogos únicos. Então, alguém,
por favor, faça esse homem tirar umas férias!
Beijos,
A.
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