28 setembro 2013

Cidades de Papel

                Todos nós tivemos amigos de infância, reais ou imaginários, certo? E anos depois, mesmo quando aquela pessoa está longe ou com novos amigos, costumamos ainda nutrir um carinho especial por ela – porque a gente ainda acredita que mesmo longe, existe um pedaço daquela pessoa que só a gente conhece. Pelo menos comigo é assim. E com o Quentin também.
                Quentin Jacobsen acreditava que todo mundo tem seu milagre, e que o maior milagre da vida dele era ser vizinho da Margo Roth Spiegelman. Mesmo que agora eles fossem meros conhecidos na escola - correção: agora Margo era uma popular -, houve um intervalo de tempo na infância deles em que eles compartilharam momentos só deles.
                Quando Margo invade a vida de Q novamente, através da janela de seu quarto em uma noite de maio, com a cara pintada e vestida como uma ninja e convocando-o para participar de um engenhoso plano de vingança, ele não sabia que sua pacata vida iria mudar radicalmente. Após uma madrugada de aventuras (que incluem invadir ou arrombar curiosos lugares), Q descobre que a enigmática Margo fugiu da cidade mais uma vez.
                Curioso com o padeiro da garota e enciumado por ela não o ter incluído nem avisado desta vez, Q resolve descobrir o misterioso paradeiro de Margo, baseando-se em algumas pistas. Porém, quanto mais ele estuda o caso, mas ele se distancia da imagem da garota que achava conhecer e aprende mais sobre si mesmo.
                Cidades de papel é um livro que trata sobre aparências, sobre as coisas que realmente importam e sobre os fios que nos conectam. John Green, através da sua já admirada narrativa, nos apresenta personagens sólidos e totalmente críveis, perfeitamente cabíveis na sociedade em que vivemos.  
Através de sacadas interessantes e de muita poesia, percebemos o quanto podemos nos enganar com nós mesmos, como podemos idealizar os outros e como fatos do passado podem refletir e moldar uma vida inteira, deixando sequelas positivas ou negativas. E mesmo que algumas coisas sejam mais bonitas de longe, bom mesmo é ver de perto e fazer parte.
Um recado final pro Jonh Green: John, manda pra cá a sua lista de compras, porque até ela deve ser interessante.





" Eis o que não é bonito em tudo isso: daqui não se vê a poeira ou a tinta rachando ou sei lá o quê, mas dá para ver o que este lugar é de verdade. Dá para ver o quanto é falso. Não é nem consistente o suficiente para ser feito de plástico. 
É uma cidade de papel. Que dizer, olhe para ela, Q: Olhe para todas aquelas ruas sem saídas, aquelas ruas que dão a volta em si mesmas, todas aquelas casas construídas para virem a baixo. Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas. (…) 
Todos idiotizados com a obsessão por possuir coisas. Todas as coisas finas e frágeis feito papel. E todas as pessoas também. Vivi aqui durante dezoito anos e nunca encontrei ninguém que se importasse com qualquer coisa."

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24 setembro 2013

Olho por olho






Certos episódios da vida repetem-se na história de muitas pessoas. Bullying, por exemplo. Todos somos passíveis de julgamento externos e sensíveis aos mesmos, mesmo que disfarcemos. Dói. Pensamos, então, em como pode mostrar que somos melhores. Planejamos. Às vezes a vida responde pela gente. Ou podemos simplesmente esquecer. Mas essa palavra não existe no vocabulário de Kat, Lillia ou Mary. Esquecer... impossível. Elas querem apenas uma coisa: vingança. Afinal, garotas crescidas não choram... elas acertam contas. E, uma coisa que começou como uma simples brincadeira entre três quase-desconhecidas, toma forma e atingindo rumos inesperados.
                Em OpO, o leitor é convidado a descobrir que não existe certo e errado, e que um mesmo acontecimento sob diferentes pontos de vistas podem resultar em distantes realidades. Para as garotas, estava valendo a lei do “olho por olho, dente por dente”. O carma já não era mais suficiente, e elas decidiram que era hora de algumas contas serem acertadas. Pode ter sido o ímpeto do momento ou o sufoco de anos, o fato é que algo quebrou e nenhuma das três soube consertar sozinha.
Como é lugar comum em livros desse tipo, os dramas da adolescência marcam presença. Não só eles, como também aquela velha receita norte-americana: líderes de torcida sem graça, capitão de time de futebol que se acha, garotas revoltadas donas da razão, nerds que escrevem poemas, festa de formatura, etc. Essa é a parte chata do livro. Pense naquele cliché dos filmes. Vai estar lá, igualzinho, sem nenhuma crítica ou distorção. Começo a pensar que o problema mesmo estão nas escolas de lá e nos seus armários perfeitos.
                Escrito em conjunto por duas escritoras promissoras da academia literária norte-americanas, não posso negar que o livro possui uma narrativa - do tipo que eu peguei ontem à noite e terminei ontem à noite. 300 páginas, sério mesmo. As tramas, grande parte ambientadas no interior de um colégio nos EUA, são narradas pelas três garotas, que se revezam contando as histórias (e suas histórias) de acordo com seus pontos de vista ao decorrer dos capítulos.

                Mesmo com um final super sem graça (porqueeunãosabiaqueeraumatrilogia), é uma leitura interessante se você tentar ler enxergando os diversos tipos de visões e as coisas que nossas mentes podem criar. Certa vez li uma reportagem que dizia “o inferno somos nós”. E é verdade. Só que algumas pessoas às vezes resolvem habitar no inferno das outras.

FICHA
Autores: JENNY HAN | SIOBHAN VIVIAN
  • Título: Olho por Olho
  • Selo: NOVO CONCEITO
  • Ano: 2013
  • Número de páginas: 320
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27 julho 2013

Fiquei com seu número



                Sabe aquela velha amiga sua do tempo do jardim de infância que você raramente vê, mas que quando encontra o sentimento é o mesmo? É assim que a Sophie Kinsella funciona pra mim. Por mais tempo que eu fique sem ler um livro dela, quando tenho um em mãos o sentimento nunca muda. Por vezes até esqueço do quanto gosto dela, comparando-a a outras escritoras do universo chick-lit, mas então me vejo lendo algo dela e pensando no quão única essa inglesa é.
                Afinal, não é qualquer uma que consegue pegar uma história banal do dia-a-dia, em que uma garota encontra um celular no lixo e fica com ele e panz, em um livro que 99% das pessoas que leram não conseguem largar. Essa garota é a Poppy Wyatt (Você não achou esse nome engraçado?! Porque eu achei!), uma carismática e bondosa fisioterapeuta que está noiva de um figurão sexy e inteligente, o Magnus Tavish.
Poppy é tão boa e preocupada em atender as pessoas à sua volta que, em um chá com as amigas, permite que todas elas experimentem seu anel de noivado que pertenceu à avó de Magnus. Afinal, ele é todo antigo e com esmeraldas perfeitas, e nenhuma delas ainda tinha visto um daqueles. Entretanto, nunca podemos esquecer de Murphy e de sua lei que faz com que coisas que pareciam certas desandem. Justo no momento que as meninas experimentam a jóia, o alarme de incêndio do local dispara. Correria. Desatenção. E um anel perdido na confusão.
Justo no dia em que os pais dele, os altamente cultos e arrogantes Wanda e Antony regressam de viagem. Como ela vai contar que perdeu o antigo anel de miliooones de dinheiros da família, GOD?! Como?! Não, ela não vai contar. Os funcionários do local irão achar o bendito e ligarão em pouco tempo para o celular dela avisando, sim?! Poderia até ser que sim, se o celular dela não tivesse sido roubado também na confusão. Como ela poderia ficar sem as duas coisas mais importantes de sua vida?
Então, como em uma recompensa do destino, a impulsiva Poppy encontra um celular jogado no lixo. Não é a melhor das situações, mas pelo menos pegando-o ela teria um número. E o que está no lixo não é de ninguém, é utilidade pública, e esse é um de seus lemos. O que Poppy não sabia é aquele celular pertence à uma empresa. Mais precisamente, a uma ex-assistente de um figurão do mundo corporativo, Sam Roxton.
É depois dessa confusão que o livro começa de fato. Ilustrando relações modernas, Kinsella nos presenteia com personagens extremamente cômicos e humanos, pessoas como nós que tem medo, inveja, e que, acima de tudo, buscam serem felizes. E as situações narradas são as mais hilárias possíveis.  
É interessante acompanhar o amadurecimento de Poppy, sobretudo através das confusões que ela se mete pelo celular de Sam. O fato é que ela pensa que o está ajudando ao se comprometer a reencaminhar todas as mensagens do aparelho para ele, mas mal sabe que na verdade é Sam quem mais a ajuda a se libertar de algumas amarras invisíveis.
                FCSN é um livro tão delícia de ler que nem a edição em páginas brancas te cansa e nem a capa infantil te desestimula. Pode acreditar. E as mais de 400 páginas não parecem, ao final, nem 200, se você é como eu que fica rezando pro livro não acabar. Porque este acabou rápido demais e eu já estou morrendo de saudades da Poppy, do Sam e do celular deles. 

Foto: Melina Souza
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17 maio 2013

Expectativas


Ela detestava acordar ao som do despertador do celular, mas o que poderia fazer? Despertadores de verdade, daqueles que são reloginhos redondos ou quadrados eletrônicos, eram considerados quase que itens vintages da decoração de uma casa. Pensou em deixar o “soneca” tocar mais uma vez, mas desistiu.

Então, levantou num impulso. Como se tivesse sido tocada por uma descarga elétrica. É que finalmente recordou-se da importância daquele dia 17.

O dia amanheceu como outro qualquer do outono na cidade: cinza, abafado e com nuvens escuras que sinalizavam posteriores pancadas de chuvas. Ou que simplesmente elas sairiam e o sol abrira de vez. Ela, otimista como sempre, olhou pela janela e ouviu alguns passarinhos cantarem no seu jardim. Ficou com a segunda opção e calçou suas sapatilhas douradas novas no lugar da velha bota gasta pela chuva. Prendeu o cabelo em uma espécie de coque e jogou um blush na cara, na expectativa de que aquele pó trouxesse um pouco de brilho ao seu semblante. Afinal, aquele era o dia. Seria tudo perfeito!

Ela ainda não havia aprendido que a expectativa é um dos maiores inimigos da humanidade.  Que toda vez que esperamos algo com muito afinco, não importa o quão bobo esse algo seja, fantasiamos sobre infinitas possibilidades que poderiam acontecer. E de repente, BUM. Acontece o que você estava prevendo. Da maneira certinha. Sim, se você é uma personagem de conto-de-fadas, sim. Ela achava-se personagem. Achava-se abençoada. Achava-se entendida e realista. Mas a vida não concordava. Quem ela era para se achar tão especial?! Ela era uma garota comum, como eu ou você, oras.

Minha querida menina, caso ninguém tenha lhe dito ainda, sempre tem o dia em que a carta não chega. Ou que o plano te ferra. Sempre chega o dia em que você esperará em vão por algo que não se concretizará ou alguém que não virá. O vôo atrasará. A sessão lotará na sua vez. Você chegará atrasada naquela reunião que você iria apresentar seu negócio. E que seu nome não estará naquela temida lista. Mas, e agora?


Ela chegou em casa com as sapatilhas enlameadas, coração queixoso e rosto borrado. O coque pendia para o lado, inconstante. Sentou-se no parapeito da janela, desacreditada, e pôs-se a observar o céu. Perdeu-se, então, no barulho do choro de ambos. Não sabia se quem mais chorara naquele período: se fora ela ou ele. Porém, não sabia também o momento exato em que resolvera levantar impetuosamente, tal como de manhã.

Foi como se uma fada tivesse soprado no seu ouvido: “O importante, garota, não é como aquela adversidade conseguiu te atingir. O que passou, não importa. O que passou não tem nada novo a te dizer. O importante é como você reagirá a tudo isso, menina. Portanto, enxugue as lágrimas. Agradeça o mínimo de bom que tenha lhe acontecido. E o de ruim também, afinal tudo nesta vida é experiência.”


Então, ela enxugou o rosto molhado com a palma da mão. Prendeu o soluço. Desatou o coque. Tomou um banho, expulsou aquelas energias, e decidiu dormir, para que tudo de ruim que lhe tinha acontecido ficasse nesse dia 17 e não tivesse mais nada para dizer a ela do dia 18 em diante. Do que tinha acontecido nesse dia, ela não contaria a ninguém.

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10 maio 2013

O livro do amanhã

                Como seria se soubéssemos o que o amanhã nos reserva? Nós o consertaríamos?! Será que conseguiríamos?
                Um livro com frases de efeito como essas na chamada, mais o mega-plus de ter sido escrito pela Cecelia Ahern (Ps. Eu te amo), temo como não surgir aquela vontade de ler?! Ainda não? Então deixa eu deixar mais interessante: tudo se passa na Irlanda. Irlanda. Bom, se até agora eu não te disse nada de convincente, melhor você parar de ler por aqui.
                Porém, se você se deixou levar por pelo menos um dos itens acima, vem comigo nessa aventura que eu vou te apresentar a Tamara. Na verdade, não sei bem se você vai gostar de conhece-la, pois Tamara é mais uma garota bem-nascida mimada e arrogante. Daquelas que nunca precisou se preocupar com o dia de amanhã, pois papai rico e mamãe perfeita não lhe ensinaram que a vida é, na verdade, uma bela de uma caixinha de surpresas.
                Pois bem. Quando repentinamente este papai rico se suicida, e a mamãe perfeita enlouquece ao descobrir-se inundada de dívidas, o que acontece?!
                Tamara e sua mãe são obrigadas a sair da mansão em que moravam em Dublin e a se mudarem para a casa dos tios de Tamara, em um vilarejo do interior irlandês. A única diversão de Tamara no interior se torna, então, as ruínas de um antigo castelo próximo ao local aonde moram seus esquisitos tios, uma biblioteca itinerante e a amizade inesperada com uma freira.
                Em uma das visitas da biblioteca – e do seu lindo motorista – à cidade, Tamara encontra um livro muito misterioso, com textos escritos com sua caligrafia torta e datados sempre para o dia seguinte. Quando as coisas em sua vida começam a acontecer exatamente como o livro (ou diário?!) previa, Tamara percebe que pode ter encontrado um atalho para solucionar seus muitos problemas. Ou não.
                Impossível não se identificar com a petulância da garota, que sempre tem resposta para tudo, mas que no fundo só quer o bem da mãe depressiva e entender melhor sobre a sua própria história de vida.
                Quem nunca sonhou em poder prever o futuro? Mas, ao mesmo tempo, quantas vezes já imaginamos consequências estrondosas?! Saber das coisas tem o seu preço. E Tamara descobre bem isso no decorrer do livro. O que era pra ser um livro comum sobre uma adolescente de caráter duvidoso torna-se uma história bastante misteriosa, recheada de bons diálogos, risadas e lições.
                Só não esqueça esta lição da Tamara: você pode direcionar o seu futuro, só não pode fugir dele! 

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24 abril 2013

Esperando por você

* Super-resenha elaborada pela moderadora Karla Corrêa (:


Um dos livros com uma história adolescente que mais me prendeu a atenção ultimamente. Um clichê tão gostoso daqueles que você continua lendo querendo saber qual será o desfecho da história amorosa e de tudo que cerca Marisa – a protagonista.
Esta bela obra fala de Marisa, uma adolescente de 15 anos que no ano anterior fez terapia devido ao seu distúrbio de ansiedade que gerou uma depressão nela. Todos na escola onde a mesma estudava achavam Marisa estranha pelo fato de ter todos esses problemas psicológicos. Mas esse ano, marcado por sua entrada no Ensino Médio, ela e sua melhor amiga Sterling prometem que tudo dará certo esse ano e que as duas irão começar a namorar seus caras do sonho.
O candidato que Marisa acha perfeito se chama Derek, um menino lindo, surfista, simpático, popular e que... já tem uma namorada. Mas isso nunca a impediu que sonhasse com o rapaz.
Marisa também tem seu amigo Nash da qual ela ficou afastada durante muito tempo, mas os dois faziam trabalhos da escola na casa de Nash. Agora, no Ensino Médio, na mesma sala eles se reaproximam para fazer trabalhos juntos. Nash é um menino muito inteligente, porém confessa gostar da Marisa. Ela não mantem o mesmo sentimento por ele, logo se afasta outra vez.
Já na escola o assunto do momento é uma Webcast onde há um cara que consegue dar conselhos para os outros adolescentes, colocar música boa e sabe TUDO que ocorre na escola, até mesmo os problemas da direção.
No lar de Marisa, a situação está complicada: seus pais estão se separando devido a traição de uma das partes e ela não se dá muito bem com sua irmã que tem ideias muito avançadas para uma menina de 12 anos.
Toda história bem adolescente e a questão de sempre: deixar se levar pela aparência de Derek mesmo ele não sendo o namorado perfeito e companheiro, que está sempre procurando ajudar Marisa em seus problemas ou permitir se apaixonar pela inteligência e pelo companheirismo de Nash, que a conhece bem e consegue a deixar bem e feliz. Mas... onde se encaixa o misterioso webcast que a conhece como ninguém e que já deu o melhor conselho que ela pode esperar!
Adorei esse livro pelo fato de ser uma linguagem simples, ter uma boa lição e mostrar os problemas dessa fase da vida de forma fiel. Afinal, Marisa está enfrentando um turbilhão de mudanças agora e mais uma vez corre o risco de cair em depressão. Vale a pena ler. 

Foto: todateen


Hey, Karla! Obrigada! 


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23 março 2013

wonder


Imagina acordar todo dia e ao olhar no espelho perceber que o seu exterior não reflete o seu verdadeiro eu. Claro, isso acontece com você todo dia, afinal por dentro você é tão lindo e perfeito e por fora tem aquela espinha, aquele nariz um tanto pontudo.
Mas poderia ser pior. Você poderia nascido com uma combinação de suas síndromes, que resultariam em uma deformidade gravíssima no seu rosto; poderia ter passado por diversas cirurgias e mesmo assim continuar com seu lábio quase-leporino, com seus olhos caídos, suas bochechas murchas e orelhas estranhas. Tudo bem, eu sei que você nunca considerou esta hipótese.
Sei também que quando, por acaso, encontra pessoas assim na rua, encara-as duas vezes: uma vez sem querer, daí toma um pequeno susto e desvia o olhar rapidamente antes que percebam sua reação. Daí então, você espera que ninguém esteja olhando, e resolve estudar a pessoa de soslaio, rezando para ela não perceber. Sei disso porque você é igual a mim.
Nunca paramos para pensar a pessoa que pode existir atrás daquela face deformada. Será que ela gosta de ser observada? Por dentro ela é tão estranha quanto por fora? Ela já pensou em se matar? Ela tem amigos de verdade?!
É por isso que achei a leitura de Wonder, o Extraordinário, fascinante. Auggie é um garotinho apaixonante de dez anos que nunca foi a escola. Além de ter passado por diversas cirurgias, seus pais superprotetores nunca tinham cogitado entregar o filho aos olhares e comentários de outras crianças. Sim, das crianças, pois no mundo dos comentários inocentes e ferinos, os delas estão no topo.
Mas o Auggie é absolutamente normal. E maduro. Ele afirma isso no começo do livro com muita convicção, como se assim pudesse convencer o mundo todo a sua volta. E, pelo menos a mim, me convence. Através de uma narrativa muito agradável e rápida, apenas consegui enxergar uma linda criança que aprendeu muito cedo sobre como a vida pode ser injusta e desafiadora.
Porém Auggie enfrenta os desafios.  Ingressa em uma escola normal da quinta-série, e apesar de todas as dificuldades, de todos os olhares, de todas o bullying e de todo o preconceito velado, ele conquista o seu lugar no novo mundo .
A verdade é que todos nós temos defeitos. Alguns são mais visíveis, outros mais ocultos. Alguns são fáceis para as pessoas conviverem, outros nem tanto. E é disso que trata o livro. O livro é dividido em partes, e cada parte é narrada por alguém próximo a Auggie : Via, a irmã, Jack e Summer, os amigos,  e outros - além do próprio Auggie. Em cada parte descobrimos mais a respeito dessas pessoas e do que está oculto em cada uma delas.
Se eu pudesse, eu daria este livro a cada um de vocês. A história do Auggie e de tantos outros precisa ser compartilhada para que esta sociedade hipócrita aprenda de uma vez a  aceitar as pessoas como elas o são em sua essência, para que entendamos de uma vez que somos mais do que este corpo que nos serve de abrigo.

Já pensou em quantas pessoas EXTRAORDINÁRIAS deixamos de nos aproximar por motivos tolos?!


                                            
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19 março 2013

de repente... 30







existe um grupo de filósofos que acredita que o número 30 é uma extensão de um número infinito. 

assim sendo, seria maior que o próprio infinito.

sim, o 30 mesmo, aquele número depois do 29, antes do 31.
número composto, número atômico do zinco.
grande parte dos anúncios publicitários duram 30 segundos.
30 dias formam a maioria dos meses.
há 30 anos foram eleitos os primeiros governadores após a Ditadura.
30, a idade temida.

hoje eu prefiro apegar-me aos devaneios dos filósofos. somente hoje, 19 de março de 2013, concordo indubitavelmente  que o número 30 é uma extensão do infinito e, portanto, maior que o mesmo. afinal, Hazel Grace me confidenciou certa feita que alguns infinitos são maiores do que outros. hoje o infinito do 30 é maior, assim como em abril o do 31 será maior ainda. só não é maior do que o meu sentimento pela pessoa que expande meus infinitos todos os dias. 

meu bem, pra você o meu amor sem fim.

feliz 30x30 dias ♥



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tô sem carro.


     a faculdade está exigindo muito do meu tempo. tô com preguiça, aff! já marquei de sair com o pessoal do curso, vamos semana que vem pra praia? você sabe que eu não gosto de torta! é sério que você está me chamando para ir ver um filme francês?!
mas eu tô online no facebook. acabei de curtir 27 fotos no instagram. e já vou te responder no whatsapp. porque você não me liga mais?!
mil desculpas à todos vocês que já conseguiram trocar a vida real pelo contato pelas redes sociais, mas pra mim é vital o estar junto. só estando lado a lado que a gente consegue se entender pelo olhar, só estando lado a lado que os seus risos se tornam os meus risos.
           pra mim, o verdadeiro significado da palavra compartilhar vai muito além de um simples botão, mas as pessoas parecem estar esquecendo disso.
          parafraseando o que ouvi um dia desses, não me diga que está com saudades. diga que está vindo me ver.  quando a gente quer, a gente cria o tempo, inventa uma situação. pega um ônibus, marca um almoço de 15 minutos, desmarca certas coisas, mergulha em programas de índio, indica uma boa programação.
          não  há tempo que volte, mas há tempo que se recupere.  


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02 março 2013

A distância entre nós

Distância costuma ser definida como algo que separa dois pontos. Nada mais é que um intervalo, seja ele físico, emocional ou social. A grande esperteza dessa senhora é fazer a gente pensar que a controlamos: que estamos perto quando queremos, e longe quando bem entendemos. É fazer-nos pensar que ela realmente importa e que quanto mais distantes estivermos de algo, mais difícil será consegui-lo ou mantê-lo.
Será que a distância existe mesmo? Muitas vezes, ao observar as situações com olhos viciados, não vemos o que, em verdade, separa as pessoas.
Capa do Livro 
Thirity Umriga debate sobre tal conceito de distância com um plano de fundo bastante inspirador: a Índia. Neste cenário, repleto de cores, tradições, castas, religiões e desigualdades, somos apresentados as histórias de duas maravilhosas e solitárias mulheres.
Bhima é uma velha hindu analfabeta, porém bastante perspicaz, que mora em um casebre na favela com sua neta Maya. Sera é uma viúva parsi bem-educada e estudada. Toda manhã Bhima toma seu habitual ônibus, na atribulada Bombain, para a casa de Serabai, aonde trabalha como doméstica há muitos anos.
Duas mulheres separadas pela casta – patroa e empregada –, mas muito próximas em suas histórias pessoais de subjugação e opressão. Através da íntima relação entre a Senhora e sua criada, vemos potencializada a distância entre dois mundos: parsis X hindus, ricos X pobres, letrados X ignorantes, mulheres X homens. Cada um, ao seu modo, solitário e infeliz.
Ao longo da leitura, evidencia-se que é negado às indianas o direito de ser feliz. Elas não podem simplesmente fugir para Pasárgada, como Manuel Bandeira faria, pois lá não possuem amigos. Elas são oprimidas na sociedade e em seus próprios lares. Nenhuma delas, seja solteira, casada ou viúva, está isenta de tal sofrimento. Os homens não são amigos. Infiéis, manipuladores, ausentes: na narrativa de Umriga não temos outra opção de adjetivo para o sexo masculino indiano.
 “A Distância entre nós” é um romance narrado a partir da proximidade entre duas mulheres habitam em universos diferentes, mas se encontram através de suas faces humanas. A dor aparentemente não tem preconceito social. E conecta pessoas de formas inimagináveis, tal como conectou Bhima e Serabai, e mudou suas vidas e a forma como se relacionavam para sempre.
Se você leu O Caçador de Pipas ou A Cidade do Sol e gostou, A Distância Entre Nós deve entrar para sua lista.

Favelas Indianas

Beijos,
Agnes

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03 fevereiro 2013

À primeira vista

Será que de fato é possível amar alguém à primeira vista?!

Se me perguntassem isso, eu responderia categoricamente: não. Faço parte do grupo racionalista que acredita que o que ocorre na verdade, entre um homem e uma mulher, é atração à primeira vista. Mesmo que a pessoa seja sua alma gêmea, a metade da qual te separaram na descia para a Terra, muitos não se reconhecem tão fácil assim na Terra.
Atração sim existe. Existe e acontece várias vezes ao dia para muitas pessoas. Mas atração não é amor. Amor é cuidado, é carinho, é compartilhar, é saber-se amado e querido. Demanda tempo e paciência. Mas as recompensas são inimagináveis.
Acredito que o Nicholas Sparks concorda comigo. Em um dos seus mais recentes lançamentos, acompanhamos a história de Jeremy e de Lexie. Sim, você não leu errado, é aquele mesmo casal protagonista de O Milagre - vulgo o livro que eu menos tolero do Nicholas. Ganhei “À primeira vista” de uma grande amiga, de aniversário, logo mesmo não gostando do seu antecessor não poderia simplesmente não ler. Quando li a sinopse, não acreditei que eram eles. Que era aquela história uó das luzes. Nicholas, me entenda, mistério não é seu forte! Nem de levinho!
Iniciei a leitura com aquele sentimento de praxe que o leitor tem quando já não gosta de como começou uma história – somando-se ao fato de que ando meio muito às avessas com o Sparks, enfim. E O Jeremy ainda estava lá cheio de dúvidas sobre se deveria casar ou não com a Lexie, se a filha era mesmo dele, se ele iria gostar da cidade... Não sei porque, mas homens desequilibrados e em crise não me atraem em nada. Histórias que são narradas em favor deles então...
Foi a partir da Lexie que a história me conquistou. Uma mulher forte e decidida que trabalha em uma biblioteca <3  e que mesmo grávida e “frágil” é o ponto de apoio de seus amigos e do marido. Tá, devo confessar que algumas cenas de romance deles também são megas fofas.
Mas o ápice do livro pra mim é o momento em que o Sparks consegue me convencer que o amor a primeira vista existe sim. Não vou dizer como, nem porque, mas percebi que eles acontecem todos os dias e são encantadores, não importa o nível de tristeza e amargura em que estejamos envolvidos. Simplesmente acontece. Está lá, escrito.
E você, acredita no amor?! E no amor à primeira vista?! De que tipo?!

Beijos,
A. 



À primeira vista - Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580410556
Ano: 2012
Páginas: 256


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17 janeiro 2013

O Hobbit




Sabe aquele livro que você tem em casa há séculos, e justamente por isso sempre coloca outro e outro e outro e outro na frente? Os novos, os emprestados, os que são seriados, os que irão ser adaptados para o cinema... OPA! Foi bem nesse quesito que O Hobbit se encaixou nas minhas listas, e saltou na frente de uns três volumes pelo menos.
Desde que li ‘O Senhor dos Anéis’ prometi a mim mesma que leria toda a obra deste gênio chamado J. R. R. Tolkien. Aliás, gênio é A palavra para descrevê-lo. Sempre admirei essas pessoas de mentes inventivas que conseguem criar outros mundos, outras realidades – Nárnia, Guerra dos Tronos, Harry Potter -  e a Terra-Média, com seus orcs, elfos, dragões e outros supera qualquer expectativa... que sujeito impressionante! Não li O Hobbit logo em seguida por motivos obviamente entendidos por quem leu a trilogia dos Anéis: minha mente pedia um break de tanta descrição. Meses depois engatei a leitura de O Smillarion, mas o outro filho único continuava na estante.
Como muitos já conferiram na adaptação cinematográfica do livro, O Hobbit narra as aventuras de Bilbo Bolseiro, uma pequena e adorável criatura que vivia uma vida confortável em sua toca no Condado. Repentinamente, um mago e mais 13 anões estão em sua sala, comendo toda a reserva de comida do pobre hobbit, planejando resgatar um tesouro guardado por um dragão.  Pouca coisa, não é?! O lado Bolseiro de Bilbo, caseiro e acomodado, nada mais espera do que que aqueles estranhos saiam de sua sala e esqueçam a parte de que ele seria o ‘ladrão’ da trupe. Mas o lado Tuk, um tanto mais aventureiro e corajoso, fica um tanto empolgado com a possibilidade de aventuras por outras florestas e montanhas. Meio querendo, e meio não querendo, Bilbo resolve acompanhar os anões na longa jornada. 
Começa, então, a viagem do grupo liderado por Thorin – líder dos anões - pelos caminhos desse mundo fantástico. O que lemos não é uma simples ficção, é um relato de alguém que parece realmente ter passado por aquilo tudo, como se fosse um velho amigo seu lhe contando algo. Tolkien espertamente interage com o leitor em diversas partes do livro, cativando muitos logo de cara com sua narrativa ímpar – sério, em alguns momentos respondi as perguntas retóricas dele aos ventos! Sua costumeira descrição extremista nos deixa informado desde os formatos dos anéis de fumaça dos charutos até a quantidade de botões da camisa do hobbit. Aqui os acontecimentos acontecem em uma velocidade maior que na aclamada trilogia, porém não com menos emoção. Todas as sensações tem espaço reservado na trama e Tolkien utiliza-se muito bem cada um deles, intercalando-os com canções e charadas muito bem elaboradas.
Ao passo que a leitura avançou, impossível não afirmar que Bilbo teve mais sorte do que coragem. São tantas as situações que ele escapou por um triz - como se o escrito estivesse tentando manter o personagem principal vivo de qualquer forma, óhh! Maiores ainda é o número de vezes que ele, por mero acaso, conseguiu salvar a vida dos seus companheiros. Impressionante como eles conseguem se safar de tudo (wargs, globins, trolls), bem igual a vida real – só que não. Mas o sujeitinho Bilbo cresce, ganha coragem e confiança em si mesmo e vira Homem com H. Claro  que tudo isso tem a influência de um certo anel que ele achou ao conhecer um tal de Gollum, mas isso é história pra outros livros...
Intrigada com a exagerada sorte de Bilbo, procurei saber mais sobre os motivos que levaram Tolkien a escrever o livro, e descobri algo ÓBVIO: o Hobbit foi escrito para crianças. Ashamed of myself. God, porque eu não percebi isso?! Tolkien queria abrir as portas do mundo da fantasia para a garotada, assim como fez o seu amigo C. S. Lewis.  E eu conheço muitas crianças que poderiam tirar algum proveito das lições de vida aprendidas pelo Sr. Bolseiro em suas andanças. E muitas crianças-grandes também.
Para mim este na verdade é um livro para todas as idades. Os ensinamentos ali contidos valem mais do que qualquer tesouro guardado por um dragão. E todos deveriam compartilhar com o hobbit a função de ladrão e guardar egoisticamente para si algo da história. Afinal, o livro é o ponto de partida de uma história maior ainda. De uma história... PRECIOSA!


"_ Aonde você foi, se me permite perguntar?
 Disse Thorin a Gandalf 
enquanto os dois cavalgavam.
_ Fui olhar à frente - disse ele.
_ E o que o trouxe de volta bem na hora?
_ O olhar para trás - disse ele."

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12 janeiro 2013

dia 12


Já se passaram doze dias desde o começo do ano. Será que todas aquelas coisas que você prometeu a si mesma, de olhos fechados, enquanto pulava as obrigatórias sete ondinhas, já começaram a acontecer?
Quais foram as suas juras?! Já começou a comer menos carboidratos?! Já parou de implicar com sua irmã?! Já está praticando algum exercício físico? Já apagou aquele número da sua agenda e aquele nome da sua vida de vez?! (...) Você já?! Porque eu não. Uma das coisas que recordo ter pensado ao romper do ano foi: vou escrever mais. Preciso escrever mais. Vou continuar meus projetos. Vou atualizar o blog.  Mas esse meu ano não começou no dia primeiro de janeiro. Nem o ano dos carboidratos, das irmãs, da academia...
“Meus anos” começam aos poucos. Na última semana de dezembro e na primeira semana de janeiro vivi o que posso chamar de um período de entressafra. Desencanei-me das minhas obrigações e dei um tempo. Um tempo pra mim, pra minha vida. Disse WAIT! as horas extras no estágio e aos intermináveis freelances. Dediquei mais tempo à minha família e ao meu noivo. Desapeguei da internet.
Porém, tudo que pára, recomeça. Não necessariamente no início do ano. Pode ser depois da primeira semana do mesmo, quando você chegou daquela viagem. Ou na próxima segunda-feira. Baianos como eu costumam dizer que o ano só começa depois do Carnaval. Mas eu não podia esperar o Carnaval passar para voltar à arquitetar, porque deveria espera-lo passar para voltar à escrever?!
Então, meu novo ano no Rascunhos e Borrões começa hoje – enquanto meus outros prometidos ainda estão em stand by. Não vou prometer escrever aqui sempre, mas sim sempre que tiver vontade. Prometo também não procrastinar minhas leituras (acontecimento inédito do final de 2012!), não atrasar minhas séries, não abandonar minhas idéias e escrever o que vier. E se por acaso eu falhar em qualquer uma dessas promessas, eu recomeço esse meu ano de novo ;)
Obrigada a todos que estão seguindo, comentando e incentivando o blog, seja por aqui ou na página do facebook. Em 2013 estaremos por aqui, com mais livros, mais ideias e mais inspirações!
E se você não começou a por em prática ainda nenhuma das suas juras de 2013, porque não começar agora?!

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18 dezembro 2012

Marina


      Marina é refúgio. Dos barcos, das pequenas embarcações, e, sobretudo, dos solitários Garmán e Óscar Drai. E quem ou o que refugia Marina?! Como em uma relação simbiótica, a menina dos olhos cinzentos também se refugia em seu pai, no menino que invadiu sua casa e roubou um relógio de bolso pesado e antigo, em seus escritos e nas lembranças das histórias que nunca viveu.
Marina
    Porém Marina teve a oportunidade de viver a mais fantástica das histórias, acompanhada por seu mais novo amigo, o menino Oscar Drai, e de uma outrapersonagem. Carlos Ruiz Zafón, ao escrever esta incrível aventura, elegeu uma terceira protagonista para sua narrativa: Barcelona. A cidade-personagem atua de forma única no desenrolar da história e seria impossível tratar as ruas do bairro antigo apenas como meros planos de fundo.
     Óscar, um garoto de quinze anos, costuma passar suas horas livres do internato vagando por essas ruas estreitas e cheias de histórias. Admirador da arquitetura da cidade, o estudante se encanta por um casarão aparentemente abandonado e resolve se aventurar por dentro da casa. Só que o casarão não estava abandonado. Muito menos vazio.  Ao ouvir o som de uma voz belíssima, Óscar logo percebe que não está sozinho e foge, sem perceber que segurava em suas mãos um relógio de bolso em ouro que já não funcionava mais.
 Alguns dias depois, ele retorna ao casarão com o propósito de devolver o relógio, mal sabendo que lá faria amigos que mudariam sua vida para sempre. Kafa, o gato. Marina, a menina dos olhos cinzentos. E Germán, o pai artista e doente da menina. Entres eles surge uma conexão imediata e é neste ponto que o livro foge para um tipo de história que eu jamais imaginaria.
Através de Marina, Oscar descobre a história da mulher vestida de negro que visita uma sepultura sem inscrições no cemitério, sempre à mesma hora e à mesma data. Os então amigos passam boa parte de seus dias tentando desvendar o mistério dessa mulher, e acabam descobrindo mistérios não tão simples. 
Conduzido pelo olhar do Oscar, o leitor é convidado a desvendar um grande enigma.  Casarões, palacetes, estufas, corpos mutilados, borboletas negras, verdades omitidas, doenças... segredos. Afinal, “ Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma.”  E alguns segredos podem ser assustadoramente macabros. 
      “Marina” fala, em essência, sobre as várias faces do amor. Mas nada se parece com qualquer outra literatura que temos por aí.  A cada capítulo, novas informações são acrescentadas, fazendo com que nós, caros leitores, tentemos a todo custo desvendar o mistério junto com os protagonistas. 
       Ainda não havia lido nada do Zafón, e comprei Marina certa de que leria um bom drama espanhol. Mas fui surpreendida e me deixei surpreender. Fantasiosamente. E descobri que ao contrário da Marina de Caymmi, que se pintava para o mundo, a Marina de Zafón pintou a realidade para si. E dessa Marina, meu caro, é impossível que fiquemos de mal.

" Marina me disse que a gente só 
se lembra do que nunca aconteceu
. Ainda ia se passar uma eternidade 
antes que eu pudesse compreender
essas palavras. "



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15 novembro 2012

O Diário de Suzana para Nicolas


                Por meio deste texto, confesso: sou completamente aficionada por livros escritos em forma de diários, cartas ou bilhetes. O Garoto da Casa ao Lado, As vantagens de ser Invisível, Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz... não importa o ano de publicação ou o gênero literário, eu simplesmente não resisto. E foi justamente por isso que O Diário de Suzana para Nicolas entrou no meu carrinho no site da Saraiva. Procurava um bom romance e... 
O Diário de Suzana para Nicolas
                Pimba! Encontrei o lançamento da Arqueiro que parecia preencher todos os requisitos: um casal cult encantador, um passado obscuro e um diário que revelará algumas respostas. Matt então rompe com Katie. Assim, sem explicação lógica nenhuma na confusa cabeça da editora de NY<3. Na petulante tentativa de tentar explicar as coisas à Katie sem dizer uma palavra de justificativa sequer, Matt apela para um artifício que, como poeta, sabe usar com maestria: as palavras. E, no dia seguinte após o rompimento, Katie encontra um pacote deixado em sua porta por Matt, que contém um pequeno caderno titulado: “Diário de Suzana para Nicolas”.
                Katie então passa alguns dias folheando aquelas páginas, avançando conforme suas dores pessoais permitem. E descobre quem foi Suzana, Nicolas e qual a relação daquelas pessoas com o seu Matt. Sobretudo, descobre o papel de cada um deles no fim de seu relacionamento.
                O diário torna-se, então, companheiro de Katie. Por que Matt teria lhe deixado aquelas páginas?! Através dele ela começa a compreender um pouco mais sobre o homem que ama. Sobre quais são as verdadeiras prioridades da vida. Sobre qual é o verdadeiro significado da palavra sorte.
                Patterson intercala passagens do Diário com o dia-a-dia de Katie enquanto lê aquelas palavras. Ele escreve um romance simples, direto e bonito. Talvez se a história tivesse sido criada por uma mulher, o livro teria umas cem páginas a mais com descrições detalhadas de sentimentos e das situações... e disso senti falta um pouco. James pecou pela falta.
Incomodou-me também a quantidade de dias que a Katie levou lendo o diário. CARAMBA, eu li o livro em duas horas! Ou seja, o diário e a vida dela! E ela passou dias lendo-o! Fico imaginando que tipo de mulher aguentaria ler duas ou três páginas por dia de um diário que poderia dar muitas respostas para sua vida... eu mesma sei, como sou uma curiosa de carteirinha, que leria tudo na mesma sentada, não importa quantas horas levassem!
                Enfim, sabe aquele romance que apesar de ter um final previsível você também sabe que poderia ter sido melhor aproveitado?! Este é um deles. Depois de ler algumas pessoas falando sobre este livro, afirmando que haviam chorado e etc, fiquei até impressionada comigo mesma, pois sou uma chorona assumida. Mas não consegui me conectar com a história da mesma forma que tinha me conectado com a sinopse. Talvez eu estivesse apenas em um dia ruim. Talvez um dia eu releia, quem sabe.
Beijos,
A.
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03 novembro 2012

O resgate - Nicholas Sparks


                Logo que comecei a postar aqui no blog confessei pra vocês a minha inclinação pelos romances do Nicholas Sparks. Culpa de livros dois livros que li há oito anos atrás: O Diário de uma Paixão e Um Amor para Recordar. Porém, desde o inicio de 2010 estou numa relação à ferro e fogo com o autor.  São tantos livros lançados por ano que não sei se ele se vendeu ou se a qualidade de seus romances decaiu mesmo. Ou os dois. De uma coisa tenho certeza: ele quer ser a versão masculina da Meg Cabot ou da Norah Roberts, certeza!
                Esses dias estava vasculhando o acervo de uma biblioteca daqui de Salvador e eis que encontro entre seus títulos o livro O Resgate. Na mesma hora algo fez plim plim na minha cabeça e tive a certeza de que conhecia aquele título. Fui olhar o autor e... bingo! Um dos títulos antigos do Sparks que lembro que já tinha visto nas minhas pesquisas anos atrás, mas que nunca encontrara por aqui nem na versão e-book! Decidi locar o livro para tentar dar outra chance ao Nicholas, nem que fosse lendo seus romances antigos.
                O Resgate narra a história de Denise, Kyle e Taylor. Denise é uma mãe solteira que abriu mão de tudo em sua vida para se dedicar a criação de seu único filho, Kyle (04 anos), que apresenta desconhecidos problemas de linguagem e dicção. Ao perder sua mãe, Denise se muda de Atlanta para Edenton (na Carolina do Norte, adivinhem!), cidade natural de seus avós, pois a família tinha uma propriedade ali e Denise não podia bancar os aluguéis de Atlanta, já que largara seu emprego como professora para se dedicar exclusivamente ao filho.
             Taylor é um carpinteiro que trabalha voluntariamente como bombeiro, em uma tentativa frustrada de afastar fantasmas de seu passado. Embora seus amigos falem que ele já passou da hora de casar, Taylor não consegue manter um relacionamento sério com ninguém.
            Pronto, a fórmula está lançada: uma mãe solteira e um filho carente de uma figura paterna serão resgatados por um bombeiro de modo que suas vidas ficarão para sempre conectadas. E o carpinteiro-bombeiro por sua vez também será resgatado, e a ele será dada uma nova chance de aprender a lidar com os seus sentimentos. É isso mesmo?! É. Como a maioria já deve saber, não existe muito mistério nos livros do Nicholas, a não ser que envolva alguma doença.
            Porém, desta vez, o Nicholas escreve com uma propriedade tão grande sobre a doença que até me surpreendi. O Kyle é um fofo, gente! Fiquei imaginando a rotina do tratamento dele, o quanto deveria ser difícil pra Denise submeter o filho a tal rotina, a alegria dela ao observar os progressos dele... Pesquisando, descobri que um dos filhos do Nicholas sofria do mesmo problema do Kyle: dislexia de som. Então, tudo explicado, né?!
         Tive literalmente um pouco resgatada a vontade ler mais do Nicholas. Mas não um exemplar dessa enxurrada que está sendo lançada à torto e à direita! Quero os romances antigos, em que ele se entregava aos seus textos e nos presenteava com diálogos únicos. Então, alguém, por favor, faça esse homem tirar umas férias!
                                                                                                                                                                        Beijos, 
A.
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28 outubro 2012

Cem anos de solidão


           Estar cercado de pessoas e sentir-se só. A estirpe dos Buendía estava condenada à Cem anos de solidão, e não teriam uma segunda oportunidade sobre a Terra. 
            Cem anos de solidão nos revela a saga desta família tão ímpar e cíclica.
José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán, primos que se casaram e que temiam gerarem filhos com rabos de porco, abandonaram sua cidade natal e partiram junto com alguns conterrâneos em busca de uma nova terra.  Fincaram raízes em um local aleatório e o batizaram com o nome de Macondo. Acompanhando a história dos Buendía, vivenciamos também a criação, vida e morte do povoado.
O casal matriarca de Macondo teve três filhos: José Arcadio, Aureliano e Amaranta. Logo depois chegou Rebeca, sozinha, junto com um saco de ossos de seus pais, comedora de terra, marcada pelo mal da  insônia e também pela solidão. Durante a saga dessa família, que se reproduz até a sétima geração, temos elementos inacreditáveis, descobrimos que Macondo é um povoado em que tudo pode acontecer: temporais que duram mais de dez anos, formigas-ruivas que destroem construções, escorpiões durante os banhos, borboletas amarelas que acompanham os apaixonados, a insônia some com a memória de todos....  
É também a terra das Rebecas, Amarantas, Úrsulas, Remédios e das dezenas de José Arcadios e Aurelianos... Nomes que insistem em serem repetidos.... São pessoas isoladas, ressentidas, extravagantes.... solitárias. Essas pessoas, além de terem em comum os mesmos nomes e sobrenomes, possuem, como que geneticamente, uma solidão que nunca é sanada – e quase sempre nunca externalizada. E essa solidão é personificada nos peixinhos dourados do Coronel Aureliano Buendía, nos doces caramelizados de Úrsula Iguarán, nos pergaminhos e livros que tanto instigaram os Aurelianos... que vão e voltam. É um ciclo único, uma família única, em que os antigos sempre retornam nas maneiras dos novos. 
A história desenrola-se ao longo desses cem anos, dessa louca geração de filhos, netos, bisnetos e bastardos. A matriarca, Úrsula Iguarán – que eu já tinha citado aqui como umas das mulheres mais influentes da literatura – foi uma guerreira que viveu entre 115 e 122 anos (!!!) é a única que se dá conta que as características físicas e psicológicas dos seus herdeiros estão associadas aos nomes: enquanto os José Arcadios são extrovertidos e impulsivos, os Aurelianos são introspectivos e estudiosos. 
Mal sabia Macondo que o seu destino já estava escrito desde a época que um certo cigano Melquíades por lá andara, e que seus dias estavam contados.
Gabriel Garcia Marquez quando escreveu esta obra-prima, no longínquo ano de 1967, utilizou o realismo mágico de forma detalhista e encantadora. Cem anos de solidão me conquistou mais do que O Amor no Tempo do Cólera – talvez eu tenha me identificado com o primeiro José Arcadio, que passou o resto dos seus dias preso à um castanheiro por conta de sua louca lucidez... ou com Rebeca, que comia areia e o cal das paredes para preencher um pedaço vazio dentro de si. 
Pesquisando por aí, descobri que o romance tem uns traços auto-biograficos do Gabriel, já que  o avô de Gabriel, o Coronel Márquez, também o levou para conhecer o gelo (assim como o primeiro José Arcadio o fez com Aureliano)  e Iguarán é o sobrenome de uma de suas avós. 
Será que estamos todos fadados a amar intensamente e morrer na solidão, como os Buendías?! 


Ps: Os nomes dos personagens se repetem tanto, devido à uma tradição familiar, e as mortes são tantas, que depois que concluir a leitura do livro acho que lerei as Crônicas de Gelo e Fogo mais facilmente! Pros curiosos que nunca leram, vejam esta árvore genealógica e observem a quantidade de nomes iguais.

Beijos,
A.
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21 outubro 2012

Clássica


                 Hoje foi dia de apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia no Teatro Castro Alves. Toda vez que eles anunciam uma apresentação por aqui eu já me preparo, pois sei que minha mãe vai carregar a família toda (aliás, ela deixa meus gatos de fora. apenas.) para assistir – ainda mais quando os preços são populares.
                Apesar de não escutar muita música clássica, aprendi a gostar por osmose. Pai e mãe, ouro de mina, já dizia Djavan. E desde cedo percebi que a música para mim é um modo de escape, assim como os livros. Quem criou o gênero chamado “música” classe, criou, no meu caso, a trilha sonora para meus pensamentos.
                Quando estou com um livro em mãos, me perco de mim e perambulo pelo universo de um outro eu, escrito por uma outra pessoa. Porém, quando ouço melodias clássicas, me perco em mim mesma, caminho por universos secretos escondidos em minhas memórias e anseios... e chuto para escanteio a ideia inicial de que iria ouvir a composição e tentar meditar em seu profundo significado – doce ilusão.
                Duas horas após o concerto, em que ouvi a nona sinfonia de Beethoven por inteiro, estou convencida de que esta é a verdadeira intenção da música clássica: ter os versos criados pelos seus ouvintes. Não há quem me convença do contrário. É como comprar um livro em branco: ter a base, e ser convidado a preenchê-lo...
                E agora, terminando esta pequena nota sobre Beethoven, música e livros, impossível não concluir que a música clássica se assemelha à própria vida – afinal, o que é esta se não uma série de acontecimentos que vamos compondo, cantando, registrando? Alguém já nos deu o compasso, cabe a nós reger e manter o ritmo!

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12 outubro 2012

Budapeste


“Budapeste, no exato momento em que termina, transforma-se em poesia.”  (WISNIK, 2004) 

Budapeste
                Que Chico Buarque nasceu destinado para compor e cantar, isso eu já sei faz tempo. Chico é daqueles que o talento não cabe dentro de si, e por não caber, transborda. E por transbordar, nos atinge, por vezes só molhando as pontas dos pés. Outras, o corpo inteiro.  
                Budapeste. Sempre achei engraçada essa palavra; a junção de duas palavras aparentemente alheias uma a outra: Buda e Peste. Pesquisando, descobri que na verdade Buda e Peste eram duas cidades húngaras que se fundiram. E eis que percebi mais uma vez como Chico, mestre das palavras, expressa tudo sobre sua obra já no título e nós, meros leitores, nada percebemos, tudo deixamos passar.
                Depois de concluir a renomada autobiografia “O Ginógrafo”, encomendada por um executivo alemão, José Costa, um talentoso escritor fantasma aprende a verdadeira arte da escrita.  José Costa não tencionava fazer deste um grande livro, assim como não tencionava viajar para Budapeste, logo depois, em razão de um encontro anual de escritores anônimos. Ele também não sabia o que o aguardava naquela cidade fria, aparentemente cinzenta.
                “Zsoze Kósta” é tão carente de ambições verdadeiras quanto é dual. Fatigado por seu próprio talento e por seus problemas no Rio de Janeiro, ele refugia-se em Budapeste e logo se percebe envolto por duas cidades, duas mulheres, dois livros. Tudo outra vez. Às vezes, as coisas das que fugimos insistem em nos perseguir. São tantos pares simétricos, tantas semelhanças entre as duas vidas de Costa – uma no Brasil e outra na Hungria, que é impossível não voltar à questão de Buda e Peste. Duas cidades distintas que se uniram. José, no Brasil e Kósta, quando na em Budapeste, já que os húngaros tratam a todos pelo sobrenome, são os verdadeiros nomes que componhem a imagem deste homem, tão misterioso quanto o húngaro, língua pela qual se apaixona. E através dessa nova língua, ele começa a escrever uma nova história. Dois homens unidos em um só. O José era prosa, o Kósta é poesia. Quando em Budapeste, aquele mesmo carioca banal adquire outro ritmo, outra musicalidade... adquire valor e reconhecimento. É na Hungria que este escritor deixa o anonimato e recebe o reconhecimento que lhe é de direito.
                Portador de uma narrativa ímpar e impecável, Budapeste possui uma história simples de um anti-herói, mas que nos é contada de forma extremamente envolvente. Após ler este livro só me restam duas coisas: ler os outros livros já lançados por este ícone e ficar na torcida para que ele continue fazendo mais canções em forma de romance.

Beijos,
A.
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02 outubro 2012

Resultado - Distopia Total



      Olá, pessoal! Primeiramente, gostaríamos de agradecer à todos que participaram da promoção. Foram mais de 21 mil entradas. Um sucesso!
        Como havíamos dito no post da promoção, teríamos 3 ganhadores com 2 livros cada um. Onde o primeiro sorteado levaria o Kit Distopia Total 1, o segundo sorteado levaria o Kit Distopia Total 2 e o terceiro sorteado levaria o Kit Distopia Total 3.
Então, vamos aos 3 ganhadores!?
1ª Sorteada - Ganhadora do Kit Distopia Total 1 com os livros: Starters e Estilhaça-me


2ª Sorteada - Ganhadora do Kit Distopia Total 2 com os livros: Destino e Travessia


3ª Sorteada - Ganhadora do Kit Distopia Total 3 com os livros: A Hospedeira e Feios


      Parabéns as ganhadoras. Um e-mail será enviado para cada uma de vocês que terão o prazo de 2 dias para responderem. Caso não recebam o e-mail, favor entrar em contato com uma de nós através dos e-mails que se encontram em nosso contato. Caso não retornem dentro deste prazo, um novo sorteio será realizado.

      Se você não ganhou, não fique triste. Participe das novas promoções que estão rolando no blog que a sua hora vai chegar. 

Um beijo!

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Editado por Agnes Carvalho. Imagens de tema por andynwt. Tecnologia do Blogger.

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